Depois do susto com a estiagem ocorrida entre novembro e início de dezembro, as chuvas estão beneficiando o desenvolvimento das principais culturas de verão da safra 98/99, como algodão, soja e milho. A preocupação é com as lavouras de feijão. As chuvas constantes que estão caindo sobre a região Centro-Sul do Estado não prejudicaram a cultura, mas o feijão está sendo colhido úmido, obrigando os lavradores a venderem a produtos para cerealistas equipados com secadores para garantir um produto de qualidade.
SituaçãoAs lavouras de soja e algodão estão com bom desenvolvimento vegetativo até agora e mais da metade das lavouras de milho estão em bom estado, constataram os técnicos do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. Cerca de 56% da área plantada com milho, que alcançou 1,54 milhão de hectares, acham-se em boas condições, ‘‘prometendo’’ bons níveis de produtividade. O restante das lavouras está em situação razoável, principalmente aquelas afetadas pela estiagem ocorrida em novembro.
Dorico da SilvaProdução de milho (5,39 milhões de toneladas) deve repetir a do ano passadoHistoricamente são colhidos 3% da safra de milho em janeiro e 5% em fevereiro. A intensificação da colheita ocorre a partir de março. A previsão é que sejam colhidos 5,39 milhões de toneladas, o mesmo volume da safra anterior. As primeiras lavouras a serem colhidas ainda este mês são do Sudoeste, cujo plantio foi efetuado em agosto. Naquela região tem lavouras em várias situações, desde aquelas que vão apresentar baixa produtividade, porque foram afetadas pela estiagem do ano passado, até aquelas que estão com excelente desenvolvimento e prometendo boa produtividade, disse a engenheira agrônoma do Deral, Vera Zardo.
PrevisõesA safra de soja deverá render 7,25 milhões de toneladas, praticamente o mesmo desempenho do ano passado. As primeiras lavouras começarão a ser colhidas em fevereiro. Se as condições de clima se mantiverem boas entre janeiro e fevereiro, a colheita de soja será uma das maiores dos últimos anos, apesar da redução de 2,9% na área plantada. Na safra anterior foram plantados 2,82 milhões de hectares e, na safra atual, 2,73 milhões de hectares.
Conforme levantamento do Deral, 78% da safra de soja estão em bom estado. O clima, com chuvas bem distribuídas intercaladas com períodos de tempo bom, está favorecendo as lavouras em desenvolvimento vegetativo e floração. A produtividade esperada é de 2.640 quilos por hectare. Vera Zardo diz que a estiagem de novembro chegou a preocupar, devido ao atraso no plantio e má-germinação das lavouras. Mas, em seguida, o tempo normalizou e permitiu o replantio em algumas áreas mais afetadas.
As lavouras de algodão também estão em boas condições de desenvolvimento. Algumas, em fase de maturação, começarão a ser colhidas em fevereiro. Deverão ser colhidas 92.500 toneladas de algodão, o que corresponde a uma redução de 47% sobre a produção anterior, de 173.600 toneladas.
As chuvas desta semana não prejudicaram a safra de feijão que ainda está em maturação e frutificação. Mas se as chuvas constantes continuarem, será motivo de preocupação, disse Vera Zardo. Mais de 60% da área plantada, que chegou a 504.000 hectares já foram colhidos. A maior parte das lavouras ainda no campo está com desenvolvimento médio em termos de rendimento, porque foi afetada pelo excesso de chuvas ocorrido entre setembro e outubro.
A estimativa de produção foi reduzida de 520.000 toneladas para 366.000 toneladas. Esperando uma safra menor de feijão e escassez do produto para abastecer o mercado, produtores mais tecnificados da região dos Campos Gerais estão investindo no plantio de feijão das secas. O reflexo desse investimento é um aumento de 20% na área plantada, passando de 92.500 hectares plantados na safra passada para 110.300 hectares.
Acima do normalO prognóstico do Simepar para o mês de janeiro aponta para chuvas acima do normal. O clima ainda sofre os efeitos de La Ni¤a, previsto para durar até abril de 99. Com a persistência desse fenômeno, prevêem-se chuvas próximas ou abaixo da média na região Sul do Brasil no primeiro trimestre do ano. O Norte do Paraná deverá ser beneficiado com chuvas abaixo do normal neste período. Nas regiões Oeste do Paraná, estima-se que as chuvas fiquem entre próxima e ligeiramente acima da média ocorrida neste período.

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