De Maringá
A colheita das primeiras lavouras de trigo em Marialva (17 km a leste de Maringá) apresenta uma produtividade correspondente à média do município nos últimos anos. A previsão, entretanto, é de que a produtividade seja reduzida a partir da colheita das demais lavouras, caso não ocorra chuva com urgência. A geada, que atingiu cerca de 10% das lavouras no último final de semana, também causou perdas nas lavouras tardias. Em média, naquele município, a produtividade tem sido de 2 mil quilos por hectare.
De acordo com o engenheiro-agrônomo da Emater em Marialva, Sérgio Luiz Zafalon, a boa produtividade é consequência do clima seco e frio deste inverno. Entretanto, adverte ele, a produção deve cair porque 60% das lavouras ainda estão em fase de enchimento dos grãos e por isso necessitam de chuvas. Ele explica que a produtividade das primeiras lavouras está satisfatória, porque o trigo foi plantado em meados de abril, sendo beneficiado pelo período de chuvas de julho. ‘‘As lavouras plantadas mais tarde precisam de chuva para ontem’’, comenta Zafalon.
QuebraA previsão é de que a produtividade do munícipio fique em 1,6 mil quilos por hectare. Se for confirmado esse número, a média será menor do que a média histórica de produtividade de trigo em Marialva, que é de 2 mil quilos por hectare. O município é o maior produtor de trigo da região de Maringá. São 600 produtores que mantêm o plantio em 14 mil hectares. A expectativa para este ano é de que a produção total fique em 21 mil toneladas.
Apesar do risco de nova geada, a maioria dos triticultores de Marialva está torcendo para que ocorra chuva imediatamente. ‘‘Só não queremos a geada, que aí sim vai nos prejudicar de vez’’, diz o produtor Edinelson Casavechia. Ele começou segunda-feira a colheita dos cinco primeiros alqueires plantados, mas espera um período de chuva para que a maior parte da lavoura não seja prejudicada pela estiagem.
A área de trigo na propriedade de Casavechia é de 230 alqueires. Assim como os demais triticultores do município, Casavechia há ‘‘muitos anos’’ iniciou o plantio direto e mantém uma tecnologia avançada no processo de plantio e colheita da safra. Estes fatores, conforme o engenheiro-agrônomo da Emater em Marialva, são determinantes para a boa produtividade do município em relação à média estadual.
ComercializaçãoEm termos de comercialização, a expectativa é de que os triticultores tenham menos problemas este ano. O preço médio está em R$ 12,50 e a comercialização só está sofrendo interferência do governo nas vendas por leilão. Na região de Maringá, a maioria dos produtores está comercializando para as cooperativas.
De acordo com o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento, Dorival Aparecido Basta, os triticultores terão um rendimento melhor este ano em função da queda no custo geral de produção. ‘‘Os produtores investiram um pouco menos, principalmente nos inseticidas, devido à estiagem ocorrida este ano’’, explica. O custo variável da produção de trigo, este ano, conforme Basta, ficou em torno de R$ 10,00, levando-se em consideração apenas a semente, mão-de-obra e maquinaria.
Na região de Maringá, que abrange 29 municípios, a estimativa da Seab, é de que a produção total fique entre 97 e 103 mil toneladas. Segundo Basta, apenas 10% dos produtores da região iniciaram a colheita na semana passada, mas a expectativa é de que a partir de hoje boa parte das lavouras seja colhida, independentemente de chover ou não. A área plantada na região é de 54 mil hectares.

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