Lavoura substitui boi em Maringá
Cidade era a segunda mais importante do Brasil, em pecuária, há apenas dez anos
Lucinéia Parra
De Maringá
Maringá perdia apenas para Araçatuba, SP, mas na última década, devido à valorização da terra, o que predomina no município é a agricultura. Nos 29 municípios da região, a pecuária ocupa o terceiro lugar na economia, só perdendo para a soja e a cana-de-açúcar. Anualmente, a comercialização de bovinos e da produção de leite gera cerca de R$30 milhões, equivalentes a 18,5% da economia da região, onde existem atualmente 4.091 criadores de animais.
A pecuária perde para a produção de soja, que tem 4.932 produtores em toda região de Maringá e movimenta cerca de R$60 milhões por ano. A comercialização da cana-de-açúcar é de aproximadamente R$40 milhões por ano. Apesar do rebanho pequeno em relação a cidades da região como Colorado, Itaguajé, Santo Inácio e Paranapoema, onde a pecuária é expressiva, Maringá continua sendo a cidade com maior capacidade de abate do Brasil. Os três frigoríficos instalados em Maringá têm capacidade para abater de mil a 1,5 mil cabeças por dia.
QualidadeDe acordo com Jocival Pereira de Sá, responsável pelo setor de pecuária da Sociedade Rural de Maringá, o rebanho da região, apesar de pequeno, é de boa qualidade. As feiras agropecuárias, segundo ele, têm contribuído para a melhoria da genética dos animais. ‘‘A comercialização de animais de excelente genética, durante as feiras, faz aumentar o rebanho de qualidade em toda a região’’, diz ele. Entre as raças que predominam na região, segundo Pereira de Sá, a base é o zebu. Em Maringá, as raças simental holandesa prevalecem.
Apesar do potencial da região no setor da pecuária, os técnicos ainda recomendam a melhoria das pastagens e afirmam que, se houvesse um solo mais adequado, a produção de carne bovina e leite poderia duplicar. De acordo com o chefe regional da Emater, Romualdo Carlos Faccin, a pecuária tem condições de avançar mais na região, se houver um investimento na recuperação do solo. Em termos de qualidade dos animais, Faccin afirma que o rebanho atingiu um bom nível de produção, mas ainda falta o cuidado com as pastagens.
Segundo ele, em muitos municípios no Extremo Noroeste do Estado, ainda há a predominância de braquiária, que tem baixo teor de proteína para os animais. Além disso, em alguns municípios, a falta de preparo da terra e a sua exploração intensiva nos últimos anos deixaram o solo erodido. Hoje, para recuperar este solo, é necessário alto investimento. ‘‘Aos poucos os produtores estão começando o processo de recuperação do solo, mas ainda há muito para se fazer, para que a pecuária possa se desenvolver plenamente’’, explica.
Um sinal de que a pecuária poderia render muito mais se houvesse um investimento na recuperação do solo é a capacidade das pastagens da região. Hoje, um alqueire comporta apenas de um a 1,5 animal para suprir sua necessidade de alimento. Há dez anos, era possível deixar de sete a dez cabeças de gado em um alqueire.

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