Embora os membros do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) ainda não tenham tomado posse, os representantes da iniciativa privada (produtores, torrefação, exportação e indústria do solúvel) já se reuniram diversas vezes para discutir o que vão sugerir àquele órgão para a formulação da nova política cafeeira do País. Da parte da Lavoura (produção), reivindica-se como prioridade a prorrogação dos empréstimos que vencerão dia 27 de fevereiro, e a abertura de linha de crédito imediato, para garantir a colheita nacional em 1998.
‘‘No presente momento estamos produzindo a safra de 98, porque a safra de 97 já está no p钒, diz o produtor Wilson Baggio, presidente da Comissão Técnica de Café da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio e membro do CDPC. Baggio calcula que o Brasil terá cerca de 20 milhões de sacas nesta safra, mas a safra de 98 ainda é uma incerteza: ‘‘Quem está fertilizando, combatendo as pragas, tratando das lavouras para que os seus galhos cresçam, vai colher bem em 98.’’
IncertezaNo lugar do galho onde nasceu café, não nasce outro grão de café. Por isto é necessário que os galhos cresçam bastante - os frutos vão surgir mais nas pontas novas que não existiam na safra anterior. ‘‘Isto só vamos conseguir - salienta o diretor da Faep -, se fizermos um bom trato cultural agora. Se não, já estamos comprometendo a safra do ano que vem’’.
Os botões florais da safra seguinte formam-se até o mês de maio. Então chega o frio, os botões não se desenvolvem. Em setembro chegam as chuvas, e os botões começam a se desenvolver. Vem a florada. ‘‘Se não tratarmos agora do café, a safra de 98 ficará comprometida irremediavelmente’’, adverte Baggio, observando que o setor de torrefação quer estar torrando 15 milhões de sacas (para consumo interno) até o ano 2 mil - hoje ele torra entre 11 milhões e 12 milhões de sacas. Somando tudo isto, o Brasil precisará de 35 milhões de sacas por ano, na virada do Século, segundo os cálculos do diretor da Faep.
Ele observa: ‘‘Se estamos produzindo hoje 20 milhões de sacas, vamos ter que aumentar a produção em mais de 50%. Então, temos que fazer esforço muito grande. Precisaremos ter financiamento, ter atenção para que possamos fornecer ao País o café necessário.’’
No final do ano passado a previsão era de que o CDPC seria instalado em janeiro/97, sob a presidência do Ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles. O Conselho é formado por seis representantes do Governo e seis da iniciativa privada - três da lavoura, um da indústria de torrefação, um do solúvel e um da exportação. Os nomes já foram publicados no Diário Oficial da União; portanto a posse é apenas uma formalidade.
Seminário InternacionalBaggio quer que o CDPC se reúna oficialmente antes do dia 27 de fevereiro, para que a prorrogação das dívidas vincendas e a liberação de novos empréstimos sejam definidos antes dessa data.
Ele sugere que o encontro ocorra durante ou logo depois do Seminário Internacional do Café, que se reunirá no Sheraton Hotel do Rio de Janeiro nos dias 20, 21 e 22 deste mês. Ali estarão representantes de países produtores como Colômbia, El Salvador, Honduras e Brasil, além dos representantes da Argentina, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Suiça e outros países consumidores.
‘‘Naturalmente, estarão também todos os membros já designados do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira. Pelo menos os representantes da iniciativa privada comparecerão’’, justifica Baggio.(Jota Oliveira)

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