Este ano, segundo cálculos da Emater em Floresta, 10% da área de 12.500 hectares, foi plantado mais cedo, permitindo a entrada do milho safrinha. ‘‘O plantio da soja antes do período normal é tradição, já que a maioria dos produtores do município apostam no retorno financeiro do milho’’, explica o técnico agrícola Valdir Brischiliari, da Emater.
As áreas que já estão sendo colhidas desde o último dia 20 de janeiro foram plantadas no final de setembro, bem antes do período recomendado, em meados de novembro. Segundo Brischiliari, os produtores em sua totalidade utilizaram sementes de variedades normais. Para esta safra de verão predominam as variedades IAS 5 e Ocepar 13 e 14. ‘‘Não existe necessidade de se plantar uma variedade precoce, já que o período é bom para a cultura’’, afirma o técnico.
ProdutividadeO único problema enfrentado pelas lavouras em ponto de colheita é o excesso de chuvas. Brischiliari calcula que, dos mais de 1.200 hectares, menos de 10% foram colhidos até o final desta semana. ‘‘O produtor começa a se preocupar com as perdas’’, diz ele. A soja que ainda está no campo vem apresentando perdas de peso e de qualidade, mas não deve afetar em muito o rendimento calculado pelos produtores.
A expectativa de produtividade, no entanto, ainda está em níveis normais. O rendimento médio em algumas áreas chega a 120 sacas por alqueire. ‘‘A média está boa, se levarmos em conta a época de plantio, mas a vantagem está no preço’’, explica Brischiliari. Os produtores que já colheram, segundo ele, estão alcançando uma cotação de R$ 15,60 a saca, valor que deve cair com a proximidade do período normal de colheita, que alcança o pico em março na região de Maringá.
Outra vantagem, do plantio da soja antes do período recomendado, é a redução dos riscos de perdas no veranico de dezembro. A fase crítica da cultura, que é a floração, acontece em novembro. Brischiliari diz que não existe como prever com precisão o período de veranico. Ele explica que dificilmente não chove em novembro, quando as lavouras plantadas antes da época normal florescem.
SafrinhaPara os produtores, a maior vantagem é a possibilidade de plantio do milho safrinha em uma época ideal para a cultura. ‘‘Plantando agora, a lavoura escapa da geada em caso de frio mais rigoroso’’, afirma Brischiliari. Ele diz ainda que a colheita do milho safrinha acontece em um período de pouca oferta, quando o produto alcança preços bem acima de mercado.
A sequência soja precoce-milho safrinha tem também desvantagens, avisa Brischiliari. Sem introduzir outra cultura para fazer a rotação, principalmente na safra de inverno, o solo se esgota em pouco tempo. ‘‘Com isso cai a produtividade, e as lavouras ficam mais expostas a pragas e doenças’’, afirma. Por enquanto, segundo ele, não existem casos de perdas devido à falta de rotação. Mas a Emater vem fazendo um trabalho de conscientização dos agricultores, para evitar a soja e o milho por vários anos na mesma área.
Para este ano, como os produtores de Floresta tiveram resultados decepcionantes com o trigo na safra passada, Brischiliari acredita que boa parte optará pelo milho safrinha. ‘‘Ainda não temos uma expectativa de área para a cultura, mas com certeza poucos vão optar pelo trigo’’, diz. ‘‘Como a projeção de produtividade para o milho é de 220 sacas por alqueire, os agricultores não terão nem dúvida na opção para a safra de inverno’’, completa Brischiliari.

mockup