Campo Mourão - A integração entre lavoura e pecuária, um sistema em que o produtor intercala culturas de verão com aveia e azevém para o gado, pode dobrar a renda dos produtores rurais. A informação, um verdadeiro desafio para agricultores que nunca trabalharam com a pecuária, foi dada esta semana aos participantes do 14º Encontro de Cooperados realizado na Fazenda Experimental da Coamo, em Campo Mourão.
Através de um convênio com o Iapar e Universidade Federal do Paraná, a cooperativa mantém há dois anos na Fazenda Experimental uma área de 3,5 hectares para demonstração dos resultados da integração. ‘‘Os dados comprovam que a renda do produtor pode dobrar’’, ressalta o professor da UFPr Aníbal de Moraes. Segundo ele, o sistema é viável para qualquer tamanho de propriedade. ‘‘Para o pequeno produtor, é a salvação da pátria’’.
Prática simples
O processo da integração é simples: o agricultor reserva uma área - 25% em média - para a criação de gado. No restante da propriedade ele mantém os cultivos de soja e milho normais. No inverno, a área agrícola recebe o plantio de aveia e azevém e passa a ficar com o gado enquanto a pastagem se recupera. ‘‘O produtor passa a plantar boi’’, simplifica o gerente da Fazenda Experimental da Coamo, Joaquim Mariano Costa.
Os resultados obtidos até agora nos experimentos são animadores. No ano passado, o gado obteve uma média de ganho diário de peso de 931 gramas e ficou pronto para o abate em apenas um ano, bem abaixo da média da pecuária tradicional, que é de três anos. ‘‘O sistema dá um pouco mais de trabalho, mas normalmente quem tem boi não quebra’’, ressalta o pesquisador do Iapar de Londrina, Sérgio Alves. ‘‘É um sistema interessante na diminuição dos riscos’’.
Bons resultados
Os resultados obtidos na Fazenda Experimental mostraram que não houve dificuldades de plantio nem perda de produtividade na área ocupada pelo gado no inverno. A compactação do solo causada pelos animais foi superficial e pôde ser rompida facilmente. Para isso, no entanto, é preciso uma boa cobertura do solo. Outra vantagem do sistema foi a verificação de um ataque menor de pragas tanto no milho como na soja.
‘‘O sistema quebra o ciclo de doenças e pragas’’, explica o professor Aníbal de Moraes. Entusiasta da integração, ele prevê que a pecuária vai sofrer um grande impulso no Estado. ‘‘A pecuária ocupará solos nobres, que permitem pastagens de alta qualidade, o que não ocorre hoje’’. Segundo ele, o agricultor pode assimilar com facilidade o sistema, uma vez que já tem a mentalidade de adubação que o capim precisa para garantir o sucesso da integração.

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