Lavoura mais segura
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
A agricultura é uma atividade que requer investimentos, tecnologias e dedicação do produtor para obter bons resultados. Mas a adoção de práticas e atitudes adequadas, em alguns casos, não é suficiente para uma boa colheita, especialmente em eventos que fogem do nosso controle. Chuvas fora de época, longos períodos de seca e fenômenos como granizo podem provocar sérios prejuízos.
Além das recomendações da pesquisa e da assistência técnica, o produtor pode colocar sua lavoura a salvo por meio de seguros, que vão lhe garantir indenização de pelo menos parte de suas perdas. Apesar de críticas com respeito a cobertura e prazo de pagamento quando ocorrem os sinistros, produtores estão cada vez mais utilizando seguros privados ou públicos. Numa safra como esta, em que a estiagem castigou lavouras paranaenses, quem lançou mão do seguro terá menos prejuízos.
Seguradoras privadas e o Banco do Brasil, agente do Proagro e que oferece também um seguro agrícola, respondem às críticas afirmando que o produtor muitas vezes não se atenta a procedimentos e detalhes que se não obedecidos impedem o pagamento das indenizações. ''O agricultor deve, por exemplo, guardar as notas fiscais e a comprovaçao do uso das tecnologias contratadas com o seguro'', diz Arnaldo Coelho do Amaral Filho, corretor de seguros de Londrina.
Além disso, destaca Amaral, o governo concede desde 2006 uma subvenção que cobre entre 40% e 70% do prêmio do seguro (este índice teve um reajuste de 10% nesta safra), dependendo da cultura, indenizando até o limite de R$ 96 mil. Embora a procura pelo seguro agrícola tenha aumentado, o produtor ainda não utiliza os recursos disponíveis na totalidade. ''Neste ano, o governo disponibilizou R$ 90 milhões em subvenção, mas só foram usados R$ 60 milhões para segurar a safra'', afirma.
A gerência regional de agronegócio do Banco do Brasil, em Curitiba, informa que o banco disponibiliza o Proagro e seguro agrícola. O primeiro pode cobrir até 70% das perdas e tem limite de cobertura de R$ 150 mil. Já o seguro agrícola tem valor de cobertura maior, embora a diferença do prêmio seja pequena.
De acordo com a gerência, Proagro e seguro só são contratados se estiverem vinculados a um financiamento agrícola, mas a contratação não é obrigatória. As indenizaçõoes liquidam a dívida do finanaciamento e o prazo de pagamento do saldo devedor, se houver, pode ser renegociado.
O Proagro tem uma linha especial para a agricultura familiar que além da cobertura de 70% da lavoura, oferece R$ 2,5 mil a título de ressarcimento de renda. Segundo a gerência, o valor serve como estímulo ao produtor familiar que fica sem oportunidade de renda se ocorrer sinistro na sua propriedade.
A gerência de agronegócio do banco avalia que o produtor se sente estimulado a segurar a produção. Em 2003 houve três mil solicitações de indenização, número que no ano seguinte passou a 30 mil e em 2005 chegou a 41 mil. Porém, o banco não informou dados sobre as contratações do seguro agrícola.


