A qualidade dos caquis produzidos em Mauá da Serra tem atraído compradores de outros estados como Mato Grosso e São Paulo. A colheita começou no início de março com bons preços devido à pouca oferta da fruta. No município, privilegiado pela altitude e clima ameno, a cultura vem crescendo como alternativa de diversificação. A área plantada, segundo a agrônoma Ana Amélia Serrano, da Cooperativa Integrada, é de aproximadamente 150 hectares (ha).
Tradicionais da cultura, os irmãos Hiroshi, Seiichi e Carlos Kamiguchi, estimam que o preço médio dos caquis este ano fique em R$ 1,00 o quilo (kg). Hiroshi cuida sozinho de uma área de 10 hectares com as variedades giombo, fuyu e kioto em produção. Do outro lado da cidade, Seiichi e Carlos cultivam 12 hectares de caquis kioto e fuyu e esperam, para este ano, uma produção variando entre 160 e 200 toneladas. Eles destacam que a cultura é fácil de ser conduzida, o que permite o uso de preparados comuns à agricultura orgânica, como as caldas bordaleza e sulfocálcica, para o controle de algumas pragas e doenças.
A produção dos caquis começa a partir do 5º ano de plantio, com crescimento progressivo. ''A produção média por hectare é de 20 toneladas (t)'', informa. O ciclo de produção demora em torno de 140 dias. A floração ocorre na primavera, com a colheita se estendendo de março a maio. Hiroshi Kamiguchi admite que a ''pressão'' do mercado faz com que os caquis sejam colhidos mais cedo. ''No Japão, a recomendação é para que a colheita ocorra após 180 dias'', revela.
O uso de inseticidas, segundo os produtores, é feito apenas para o controle de lagartas no período de floração e na formação dos frutos. ''Fazemos duas aplicações de veneno, depois o controle fica por conta das caldas, que ajudam também a repelir insetos'', diz Hiroshi.
Outra boa vantagem do caquizeiro é a longevidade da árvore. Ela suporta ainda períodos de estiagem e não exige horas de frio para que as flores vinguem. ''No interior de São Paulo há árvores em produção com mais de 40 anos, no Japão elas superam 100 anos'', conta.
Outra característica dos produtores de caquis de Mauá da Serra que merece ser destacada é a preocupação em tecnificar a cultura. ''Viajamos quase que todos os anos para outras regiões produtoras, como o Estado de São Paulo. A pesquisa é pequena, então, temos de buscar novas experiências'' justificam. Um bom exemplo é a técnica de amarração de galhos, para a variedade fuyu, trazida de Piedade (SP). ''Os galhos do fuyu são mais fracos e os frutos mais pesados. Antes tínhamos de usar diversas escoras que atrapalhavam a colheita, agora basta um bambu e alguns fios de arame'', comemora Hiroshi.

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