Lavoura e pasto no mesmo plantio
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Cláudia Barberato 
Arquivo FolhaTransformaçãoTrabalho de recuperação deve ser iniciado com recuperação de apenas parte da áreaTécnicos e lideranças de produtores estiveram reunidos em dia-de-campo na última quinta-feira, dia 6, na Fazenda Guanabara, em Paranapoema (120 quilômetros ao Norte de Maringá), para conhecer e avaliar a adoção de um sistema para recuperação de pastagens baseado no método barreirão.
O sistema consiste em semear o capim junto com as sementes de arroz ou milho, em uma mesma operação, usando uma plantadeira convencional. A colheita de arroz ou milho financia, indiretamente, a reforma da pastagem. Pode ser usado também o sorgo como lavoura.
Outra realidadeO barreirão original, uma alternativa de renovação de áreas degradadas de pasto, foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Arroz e Feijão (CNPAF), da Embrapa, em Goiânia. No Paraná, segundo pesquisadores, no entanto, parte dos métodos utilizados nos Cerrados teria que ser adaptada à realidade de solo, clima e mercado.
De acordo com o agrônomo da Emater, órgão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná, uma das promotoras do evento, Rafael Figueiredo, a idéia foi mostrar a tecnologia do barreirão como um dos processos de reforma de pasto. A metodologia é nova no Paraná, onde já se faz reforma de pasto com outros sistemas.
Um exemploSegundo o pesquisador do CNPAF, Raimundo Ricardo Rabelo, a Fazenda Guanabara foi escolhida para experimentos com o barreirão, primeiro numa iniciativa dos proprietários da faenda (Cia. Melhoramento) e depois por estar numa região de semelhanças com o clima e tipo de solo dos Cerrados, onde foi desenvolvido trabalho com o barreirão. O experimento ali, segundo Figueiredo, poderá servir como exemplo para toda a região do arenito, desde Paranavaí, Umuarama, Toledo, até Londrina. Na fazenda já existe pasto reformado do ano passado e lavoura em ponto de colheita.
Segundo Figueiredo, depois deste primeiro contato com o sistema de reforma, outros dias-de-campo sobre o assunto deverão ser programados e, como o trabalho de implantação deve iniciar-se após o verão, outras áreas de experimentos deverão ser instaladas no Estado. Na região de Londrina, por exemplo, já se fala em colocar o experimento em Jaguapitã.
LimitaçõesO sistema barreirão exige trator potente e nos Cerrados não existe a grama mato grosso, infestante da braquiária no Paraná; por isso o método deve ser adaptado para nossa realidade, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), José Pedro Garcia Sá. O Iapar já trabalha há mais de 10 anos com alternativas de recuperação de pastagens e também foi um dos promotores do evento.
Ele acredita que a recuperação com culturas anuais, cuja produção cobre os custos da tecnologia aplicada e deixa, de lucro, uma pastagem permanente e duradoura, é indispensável ao manejo racional e econômico das propriedades.
O pesquisador da Embrapa de Goiânia dá um exemplo de recuperação: um produtor com 200 hectares de pastagem pode começar o trabalho com 40-50 hectares. Quando optar pelo arroz, deverá escolher variedade de boa produção e mercado garantido. No caso do milho e sorgo, muitas vezes poderá aproveitá-los na propriedade, melhorando a qualidade do cardápio dos animais e barateando custos com ração.
Bom retornoA comercialização da lavoura arroz, por exemplo, quando o produto alcança bons preços de mercado, de acordo com Rabelo, poderá resultar numa taxa de retorno entre 15% e 20%. Se cobrir 80% dos custos com a reforma, já é vantagem.
A escolha do capim e da lavoura para recuperação de pastos, lembra Rabelo, é feita em função do clima da região; no caso da Fazenda Guanabara usou-se a braquiária mais o arroz, milho e sorgo, já que o local se assemelha às condições dos Cerrados. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, seria preciso mudar lavouras e capins a serem implantados. Parte do sistema barreirão, com adaptações, segundo Rabelo, já está sendo usado nos Estados de Goiânia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, regiões do Nordeste, Minas Gerais e São Paulo.
Pequena áreaA recuperação não é recomendada para toda a área de pasto degradado, mas entre um terço a um quinto da área total. O sistema é fácil mas enjoado; por isso todas as etapas devem ser bem feitas. Os capins normalmente são mais agressivos do que o arroz, por exemplo; por isso são necessários alguns detalhes como plantar mais fundo que a lavoura para dar chance para a lavoura se desenvolver primeiro e não haja competição. É necessário cuidado no preparo do solo, adubação e condução das lavouras.
O produtor deve esperar entre dois e três meses depois de retirar a lavoura, para colocar o gado na área de pasto. Mesmo fazendo um trabalho bem feito, quatro a cinco anos depois, avisa Rabelo, será preciso mexer de novo no capim porque a área começa a ficar compactada e cansada. Dependendo da região, do tipo de solo, o processo precisa ser refeito.
A época para início da reforma depende principalmente da lavoura escolhida; sabe-se que o melhor desenvolvimento se dá no período das águas. Antes disso o produtor terá que fazer o planejamento do serviço, como preparar bem o solo, corrigir com calcário e adubar, entre outras medidas, iniciadas entre julho e agosto, para o plantio da lavoura e capim em outubro.
Vários sistemasDe acordo com informações da Embrapa, o sistema de recuperação de pasto solteiro tem a limitação de custo e retorno somente a médio e longo prazos. Já com o plantio consorciado de pasto com culturas anuais, com uso de corretivos e fertilizantes e preparos de solo específicos, entre outros benefícios, o produtor pode cobrir parcial e, às vezes, totalmente os custos de implantação de pastagens com a colheita dos grãos. Pode ser aplicado no momento de transição no sistema rotação agricultura x pecuária, como diretamente sobre a pastagem degradada. O objetivo maior deste método é recuperar, com menores custos, pastagens degradadas provenientes de manejos inadequados, ou com muito tempo de implantação e uso, visando obter melhores índices zootécnicos, pelas avaliações realizadas periodicamente dos animais, das forrageiras e do solo.


