Milhares de postos de trabalho no campo estão desaparecendo junto com a bela paisagem proporcionada pelos flocos brancos dos algodoais. Em um país que - mesmo mascarado pelo mercado informal - apresenta índices de desemprego endêmico, é triste constatar que enquanto a soja (estrela da monocultura nacional), terá um aumento significativo de área plantada na safra 96/97, da ordem de 6,8%, passando de 2,33 milhões de hectares para 2,49 milhões de ha, o algodão sofrerá uma redução de 46,5% com o plantio de apenas 97,7 mil ha.
Vale dizer que a área plantada e a produção da cultura de algodão se reduziram na safra passada a níveis jamais alcançados nos últimos 30 anos, sendo mais acentuados na Região Centro-Sul do País. A produção de 414,6 mil toneladas da safra 94/95 é inferior ao recorde negativo de 1993, de 420,2 mil toneladas.
Com efeito, a preocupação aumenta na proporção que se analisa a área plantada de outras culturas. Não é ‘‘privilégio’’ do algodão a redução de área. O mesmo fenômeno acontece com o arroz sequeiro e o feijão. São os produtos da chamada agricultura de subsistência. Esta tendência é particularmente preocupante, já que aponta para uma situação consolidada: os médios e pequenos agricultores aceleraram a venda de suas propriedades, engrossando as estatísticas do êxodo rural, dando lugar aos grandes latifúndios cultivados pela monocultura - ou não estão fazendo nem para o sustento da família.
Na Região Oeste do Paraná a situação é desoladora. Para ficar em dois exemplos, citamos o município de Lindoeste - outrora produtor de algodão e gerador de muitos empregos aos trabalhadores rurais volantes -, cujos campos de algodão deram lugar à atividde agropecuária, que todos sabemos, gera ínfimos postos de trabalho. E Cascavel, onde os algodoais desapareceram literalmente do cenário rural.
Sendo o dilema do algodão um problema de competição externa (no mercado externo é possível adquirir o produto com seis meses as um ano de prazo, a juros de 4 a 8%), já temos o diagnóstico, que aponta para a necessidade dos governos Federal e Estadual intervirem com subsídios para a cultura.
O autor é engenheiro agrônomo em Cascavel.

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