A ‘‘pinta-preta-dos-citros’’, que já foi confirmada em mais de 20 municípios produtores de laranja de São Paulo, agora tornou-se uma ameaça também aos pomares da Bahia e de Sergipe, que juntos são o segundo maior produtor nacional. O alerta é do pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Hermes Peixoto Santos Filho.
A doença ainda não foi relatada nestes dois Estados, mas a pesquisa já recomenda que o produtor vá tomando as seguintes providências: não usar mudas de outras regiões, principalmente de São Paulo; proceder a fiscalização criteriosa dos frutos comercializados na Bahia; manter o pomar sob fiscalização, para descobrir frutos que possam estar afetados, principalmente se estiverem próximos de plantios com lima-da-pérsia ou limão-siciliano.
Outra medida é evitar o trânsito e a comercialização de frutas dos municípios paulistas de Aguaí, Américo Brasiliense, Angatuba, Araras, Artur Nogueira, Casa Branca, Conchal, Descalvado, Engenheiro Coelho, Limeira, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Pirassununga, Porto Feliz, Porto Ferreira, Rincão, Rio Claro, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro e Tambaú, afetados pela doença.
O aparecimento da ‘‘pinta-preta’’ nos laranjais de São Paulo aconteceu em 1992. O agente da doença é o fungo Gulgnardia citricarpa, que espalha seus órgãos de reprodução e multiplicação nas folhas em decomposição e nos frutos. Com exceção do limão tahiti, todas as frutas cítricas são suscetíveis, principalmente as que amadurecem tardiamente, sob efeito de altas temperaturas, luminosidade e umidade relativa.
O único meio de controle feito atualmente é o uso de produtos químicos. Entretanto, alerta o pesquisador, com a perspectiva de que a ‘‘pinta-preta’’ aumente a sua ocorrência em São Paulo, outros métodos de controle começam a ser pesquisados e utilizados.

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