Laranja promete bom lucro em São Jorge do Ivaí
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Reportagem Local 
Os produtores da região de São Jorge do Ivaí (100 quilômetros ao Norte de Campo Mourão), que apostaram na laranja, vêm obtendo bom lucro com uso de tecnologias. Em muitos casos a citricultura é mais rentável que a soja, segundo a assessoria da Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra), com sede em Campo Mourão.
A Fazenda Coqueiros é citada como exemplo. Na propriedade, 40 dos 360 alqueires são ocupados por um grande pomar. De acordo com Cristiano Gioppo, administrador da propriedade, ''o negócio é bom e garantido, desde que se saiba trabalhar''. E se tenha um mercado comprador, como nos últimos meses.
A região de Paranavaí inspirou as demais regiões na opção pelos citros. Incentivados pelo preço do produto (somente em 2002 a laranja teve reajustes de quase 200%) produtores começaram a destinar parte de suas terras ao cultivo dos pomares.
No caso da Fazenda Coqueiros, a laranja está sendo cultivada há três anos. Nos 40 alqueires estão plantados cerca de 33 mil pés. A produtividade este ano deve ficar em 3,2 mil caixas/alqueire, vendidas a US$ 3,00 cada. Cada alqueire rende líquido US$ 9,6 mil. Os dados são da Coopermibra. Na laranja não existe a figura do atravessador, uma vez que os produtores vendem a fruta diretamente à fábrica de suco, em Paranavaí.
Gioppo explica que, embora a laranja seja lucrativa - enquanto o alqueire da laranja rende US$ 9,6 mil, a soja rende US$ 1,2 mil - a propriedade ainda cultiva 300 alqueires de soja, que não pretende substituir no curto prazo.
A cooperativa também aponta o papel social da citricultura na região. Durante a safra, que dura cinco meses, trabalham 80 pessoas/dia. Na entressafra, são 12 pessoas mantidas nos tratos culturais.
De acordo com Valdomiro Bognar, vice-presidente da Coopermibra - que dá assistência à propriedade - a cooperativa pretende apoiar novas alternativas no campo, principalmente para oferecer trabalho, é um dos objetivos da empresa.
A laranja é rentável mas é exigente; requer planejamento. É preciso ter a garantia da colocação do produto no mercado, segundo o administrador Gioppo. ''De nada adiantaria ter uma boa safra se não existisse o mercado consumidor''. Um dos fatores responsáveis pela compra de 100% da produção da fazenda é uma cooperativa em Paranavaí - criada por pequeno número de citricultores. A cooperativa está exportando o suco para o mercado europeu.
Mercado favorável - A Cocamar, que mantém a principal área de laranjas no Paraná, confirma a boa performance da citricultura. O mercado vive um dos melhores momentos dos últimos anos.
A Abecitrus, no Estado de São Paulo, também informou esta semana que há uma tendência de alta nos preços de produtos cítricos no mercado internacional para este ano, Motivo é a baixa nos estoques estratégicos e queda na produção no Brasil e na Flórida. Em 2002, o Brasil produziu 370 milhões de caixas e a Flórida, 226 milhões. Na Flórida, a produção deverá cair para 197 milhões de caixas.
A recuperação dos preços internacionais começou em 2002. Segundo o presidente da Fundação, Antônio Garcia, o aumento foi de 15% a 17%, levando também a uma recuperação dos preços da matéria-prima. ''Do ponto de vista da cadeia produtiva, o ano de 2002 foi mais tranquilo que o anterior. A recuperação dos preços irrigou o setor e o produtor pôde quitar suas dívidas e investir nos pomares'', explicou o dirigente. No ano passado a receita com exportações de cítricos foi de US$ 1,1 bilhão e a expectativa para 2003, é de que as vendas externas alcancem US$ 1,2 bilhão.


