Os produtores da região de São Jorge do Ivaí (100 quilômetros ao Norte de Campo Mourão), que apostaram na laranja, vêm obtendo bom lucro com uso de tecnologias. Em muitos casos a citricultura é mais rentável que a soja, segundo a assessoria da Cooperativa Mista Agropecuária do Brasil (Coopermibra), com sede em Campo Mourão.
A Fazenda Coqueiros é citada como exemplo. Na propriedade, 40 dos 360 alqueires são ocupados por um grande pomar. De acordo com Cristiano Gioppo, administrador da propriedade, ''o negócio é bom e garantido, desde que se saiba trabalhar''. E se tenha um mercado comprador, como nos últimos meses.
A região de Paranavaí inspirou as demais regiões na opção pelos citros. Incentivados pelo preço do produto (somente em 2002 a laranja teve reajustes de quase 200%) produtores começaram a destinar parte de suas terras ao cultivo dos pomares.
No caso da Fazenda Coqueiros, a laranja está sendo cultivada há três anos. Nos 40 alqueires estão plantados cerca de 33 mil pés. A produtividade este ano deve ficar em 3,2 mil caixas/alqueire, vendidas a US$ 3,00 cada. Cada alqueire rende líquido US$ 9,6 mil. Os dados são da Coopermibra. Na laranja não existe a figura do atravessador, uma vez que os produtores vendem a fruta diretamente à fábrica de suco, em Paranavaí.
Gioppo explica que, embora a laranja seja lucrativa - enquanto o alqueire da laranja rende US$ 9,6 mil, a soja rende US$ 1,2 mil - a propriedade ainda cultiva 300 alqueires de soja, que não pretende substituir no curto prazo.
A cooperativa também aponta o papel social da citricultura na região. Durante a safra, que dura cinco meses, trabalham 80 pessoas/dia. Na entressafra, são 12 pessoas mantidas nos tratos culturais.
De acordo com Valdomiro Bognar, vice-presidente da Coopermibra - que dá assistência à propriedade - a cooperativa pretende apoiar novas alternativas no campo, principalmente para oferecer trabalho, é um dos objetivos da empresa.
A laranja é rentável mas é exigente; requer planejamento. É preciso ter a garantia da colocação do produto no mercado, segundo o administrador Gioppo. ''De nada adiantaria ter uma boa safra se não existisse o mercado consumidor''. Um dos fatores responsáveis pela compra de 100% da produção da fazenda é uma cooperativa em Paranavaí - criada por pequeno número de citricultores. A cooperativa está exportando o suco para o mercado europeu.
Mercado favorável - A Cocamar, que mantém a principal área de laranjas no Paraná, confirma a boa performance da citricultura. O mercado vive um dos melhores momentos dos últimos anos.
A Abecitrus, no Estado de São Paulo, também informou esta semana que há uma tendência de alta nos preços de produtos cítricos no mercado internacional para este ano, Motivo é a baixa nos estoques estratégicos e queda na produção no Brasil e na Flórida. Em 2002, o Brasil produziu 370 milhões de caixas e a Flórida, 226 milhões. Na Flórida, a produção deverá cair para 197 milhões de caixas.
A recuperação dos preços internacionais começou em 2002. Segundo o presidente da Fundação, Antônio Garcia, o aumento foi de 15% a 17%, levando também a uma recuperação dos preços da matéria-prima. ''Do ponto de vista da cadeia produtiva, o ano de 2002 foi mais tranquilo que o anterior. A recuperação dos preços irrigou o setor e o produtor pôde quitar suas dívidas e investir nos pomares'', explicou o dirigente. No ano passado a receita com exportações de cítricos foi de US$ 1,1 bilhão e a expectativa para 2003, é de que as vendas externas alcancem US$ 1,2 bilhão.

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