Laranja in natura viabiliza pequenas propriedades
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sexta-feira, 26 de março de 2004
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
Metade dos associados do Nova Citrus são descendentes de japoneses, pioneiros no cultivo de laranja na região, vindos basicamente do café e do algodão. Com o tempo, outros produtores também se juntaram ao grupo. Um deles, Heriberto Bezerra de Melo, confirma a história de sucesso do grupo.
Entusiasmado com o rendimento que a laranja tem proporcionado, Melo espera aumentar a rentabilidade do sítio de quatro alqueires, fonte de sustento para ele, sua família, o pai e mais cinco irmãos. ''A laranja é mais fácil de conduzir, não exige investimento em maquinário e, bem tratada, produz por 20 anos,'' defende.
Bezerra já destina, desde o ano passado, parte de uma área (1,8 alqueire) para a laranja, onde antes cultivava o milho. O pomar estará em plena produção apenas em 2005 mas, desde já, o produtor vislumbra um rendimento que poderá ser até oito vezes maior: de R$ 3 mil por ano com o milho para uma ''promessa'' de rentabilidade entre R$ 20 a R$ 25 mil/ano com o cultivo da fruta.
Já o produtor Sérgio Yamamoto, que desde 1999 optou pelo cultivo da laranja, mesmo com o prejuízo da geada de 2000, está investindo na recuperação do pomar de dois alqueires. Ele garante que seria preciso uma área de 10 alqueires de soja para ter o mesmo rendimento que obtém nos dois alqueires de laranja, que sustenta quatro famílias.
Ricardo Shirai, presidente do Grupo Nova Citrus, é um dos mais antigos nessa experiência. No sítio de 6 alqueires ele planta também soja, trigo e uva. A laranja, em vários estágios de produção, ocupa 1,2 alqueire. Por enquanto porque ele vê sinais para ampliar a área.
A partir de 2005, quando a maioria dos pés atingir o pico de produção, Shirai espera que a maior fonte de renda do sítio seja a laranja. Com a soja, explica, seria preciso maior volume de produção para obter o mesmo rendimento.
Na opção pela laranja como alternativa de renda, segundo Shirai, o fundamental não é o produto ou a tecnologia e sim a formação do grupo. ''O pequeno produtor não conseguiria caminhar sozinho.''


