O cultivo da laranja é o protagonista da produção de frutas no Paraná, com participação de 30% no VBP (Valor Bruto de Produção) da fruticultura do estado em 2025. A estatística faz parte do relatório preliminar elaborado pelo Deral (Departamento de Economia Rural), que considera 37 frutas cultivadas em território paranaense.

Em 2025, o VBP da fruticultura do Paraná alcançou R$ 4,3 bilhões provenientes de 1,5 milhão de toneladas de frutas cultivadas em 56,2 mil hectares de terras. Dentro desse universo, a laranja teve participação de R$ 1,3 bilhão de VBP (30,7% do total), seguida pelo morango (17,1%) e pela uva (9,2%). Os pomares de laranja estiveram presentes em 264 municípios do Estado no ano passado.

Com propriedade em Alto Paraná, no Noroeste, o citricultor Carlos Mataruco herdou a atividade do pai, que começou o cultivo de laranja no início da década de 1990, e a família segue até hoje. “Na época que iniciamos o que predominava era o gado, daí vimos a laranja como uma nova opção de renda e diversificação de atividades”, relembra.

A expectativa neste ano é colher 130 mil caixas de laranja, a mesma quantidade obtida em 2025. Cada caixa de laranja contém 40,8 kg da fruta, sendo que a soma chega a 5,3 mil toneladas.

“O mercado atual está em crise. Neste ano o preço está muito inferior ao ano de 2025, pois o consumo de suco mundial e nacional caiu, e as indústrias não conseguem comercializar o suco em estoque”, explica.

Para se ter uma ideia da desvalorização, em julho de 2026 a caixa de 40,8 kg foi vendida a R$ 22,50 para a indústria. No mesmo mês de 2025, o valor comercializado era de R$ 50. “Este ano a cultura não está sendo rentável, tendo um percentual de prejuízo de praticamente 50%.” Do total produzido na propriedade, 70% da produção é consumida in natura (fruta de mesa) e os 30% restantes são destinados para a indústria.

Entre os desafios da atividade, além da falta de remuneração com a cultura e a incerteza com o mercado futuro, Mataruco destaca o greening. “É uma preocupação grande que vem registrando aumento dos índices”, conclui.

NO TOPO

O maior produtor de laranja do Estado é Paranavaí (Noroeste). Segundo o relatório preliminar, a produção da fruta alcançou quase 177 mil toneladas em 2025, cultivada em mais de 5 mil hectares de terras.

Somente esse município com menos de 100 mil habitantes foi responsável por quase 25% do volume total de laranja produzido no Paraná no ano passado. A Secretaria Municipal da Agricultura contabiliza 8 milhões de pés de laranja em Paranavaí.

O secretário de Agricultura de Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, considera que questões logísticas e de extensão territorial alavancam o cultivo da laranja no município. “Temos a BR-376 e o município conta com 2,1 milhões de metros quadrados de área, o que possibilita a expansão da citricultura”, destaca.

Partindo de Paranavaí, a BR-376 é uma das principais espinhas dorsais de transporte da região e dá acesso direto a destinos tanto ao sul/leste (sentido interior do Paraná e Curitiba) quanto noroeste (sentido divisa com Mato Grosso do Sul).

Paranavaí conta com indústrias de suco de laranja, como a Prat’s, que dispõe de uma expressiva área plantada. Somente esse ramo é responsável por gerar 5,5 mil empregos diretos e uma arrecadação anual de R$ 1,5 milhão em impostos no município.

Por ano, Paranavaí produz 11 milhões de caixas de laranja para a indústria. Desse total, 4 milhões já são engarrafadas como suco. Do total do suco produzido, 5% são exportados para os Estados Unidos.

No ano passado, um entreposto da Cutrale – maior exportadora de suco de laranja do mundo – se instalou em Paranavaí, fazendo a classificação e remetendo parte da produção para São Paulo, Estado onde houve redução do volume em consequência do greening.

LEIA TAMBÉM:

+ "Deus me deu esse dom", diz agricultor que dedicou a vida à terra

“Temos uma batalha contra o greening aqui em Paranavaí, com a erradicação dos pés dentro da área urbana. Já foram cortados mais de 30 mil pés desde 2024”, destaca o secretário.

A prática é uma ação para prevenir a praga, visto que os pomares caseiros não contam com controle quinzenal, conforme ocorre no cultivo comercial. Além disso, os próprios produtores estão erradicando as plantas doentes, com controle da Adapar (Associação de Defesa Agropecuária do Paraná).

DE FORA

O suco de laranja ficou de fora do duplo tarifaço imposto recentemente pelos Estados Unidos. Segundo especialistas, a decisão foi tomada com base no fato de que a Flórida sofre há anos com quebras de safra devido a pragas e furacões.

Diante desse cenário, punir o suco de laranja brasileiro desestruturaria o mercado de café da manhã nos Estados Unidos.

mockup