A estiagem não comprometeu a produção de laranjas na região de atuação da Corol Cooperativa Agroindustrial de Rolândia. Pelo menos é o que estima o agrônomo Benno Roes, chefe do departamento de fruticultura da cooperativa. Segundo ele, as lavouras estão num bom momento de maturação e em plena colheita, que começou em junho e deve se estender até dezembro.
Este ano, assinala, será uma época boa para a variedade valência, mas os citricultores que fornecem matéria-prima para a indústria da Corol cultivam outras variedades como iapar, pêra e folha murcha. A área total dos laranjais é de 4,1 mil hectares e engloba 52 municípios e 213 produtores, enumera Roes.
A expectativa é de crescimento na colheita atual. Segundo o agrônomo, no ano passado foram produzidas 1,2 milhão de caixas com 40,8 quilos (kg) de fruta, enquanto este ano são esperadas 2,1 milhões de caixas. ''O surgimento de novas áreas e a bianualidade da cultura contribuem para o aumento da produtividade'', explica o agrônomo da Corol.
De acordo com ele, a média de crescimento anual do projeto integrado de citricultura da cooperativa é de 600 hectares, com a entrada de até 20 novos produtores por ano. A fabricação de suco concentrado gira em torno de 7,5 mil toneladas anuais e a capacidade de processamento da indústria é de 2,5 milhões de caixas.
Roes conta que mais de 80% do produto é remetido ao mercado internacional, principalmente para países da Europa, e 20% é consumido internamente, com destaque para Espírito Santo e Rio Grande do Sul. ''O concentrado é vendido como matéria-prima para empresas engarrafadoras de suco'', ressalta.
Segundo Roes, a geada que afetou os laranjais no início de setembro não causou prejuízos para as folhas, mas pode comprometer o pegamento da florada. Já os danos causados pela seca prolongada remetem apenas ao tamanho dos frutos, que estão menores. ''O suco está bom. O tamanho das frutas foi compensado pelo rendimento de indústria'', analisa.
Se no ano passado a citricultura obteve resultados positivos, este ano a expectativa é ainda superior, completa Roes. Ele recorda que a caixa de laranjas foi vendida, em média, a R$ 5,20 no ano passado e a previsão é de que o preço se mantenha em 2006. ''O produtor nunca está satisfeito, sempre espera um preço melhor, mas, na verdade, o câmbio é o grande problema da agricultura'', diz.
Apesar das reclamações, hoje, a renda líquida com a laranja representa o dobro dos rendimentos com grãos, calcula o agrônomo da Corol. No projeto integrado, por exemplo, a cooperativa garante o custo mínimo de produção, que gira em torno de R$ 3,70/caixa, sendo R$ 2,00/caixa o custo agrícola somados a R$ 1,20/caixa pela colheita, além do frete que custa, em média, R$ 0,54/quilômetro. ''Ao final da safra é feito o rateio dos lucros entre os cooperados, que acabam recebendo um complemento em relação aos custos'', comenta Benno Roes.

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