Cultivar laranja pode ser um bom negócio para os produtores que querem diversificar a atividade agrícola. Apesar de ser uma cultura que começa a dar lucro somente a partir do sétimo ano de implantação, o retorno econômico é compensador, segundo o chefe do Departamento de Fruticultura da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), Benno Roes. Ele argumenta que um pomar adulto pode render ao produtor até R$900 por hectare - rentabilidade três vezes maior que a da soja ou a do milho.
Carlindo Bizzani: citricultura é alternativa para diversificaçãoEm contrapartida é uma das culturas com custos (produção, colheita e transporte) mais altos - cerca R$1.600/ha, ficando próxima, por exemplo, do café adensado (R$1.923,80/ha).
AlternativaAs vantagens econômicas e comerciais da citricultura, bem como a viabilidade de produção no Norte do Paraná, estão levando técnicos da Emater e da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina (SMAA) a apresentar a atividade como alternativa para o produtor da região. Paralelamente, a Corol desenvolve também um projeto de incentivo ao cultivo da laranja. ‘‘Dentro de um programa de diversificação, a citricultura é uma das atividades que podem dar bons retornos ao produtor’’, argumenta o técnico da Emater, Carlindo Bizzani.
Os técnicos destacam algumas vantagens do cultivo da laranja. Uma delas é a maximização de equipamentos, como trator, pulverizador e roçadeira. Por ser tolerante à geada, a laranja pode ser cultivada inclusive em baixadas. ‘‘Para que haja perdas, devido ao frio, é necessário que as plantas fiquem expostas a temperaturas inferiores a 4 graus Celsius durante um período de oito a dez horas. Isso não acontece aqui’’, afirma Roes. Na comercialização, a laranja oferece uma de suas maiores vantagens: é a fruta mais consumida no País. ‘‘E o Paraná ainda é insuficiente na produção de laranja’’, afirma Roes. ‘‘Temos um grande mercado para atender.’’
Dorico da SilvaSegundo Campos Júnior é necessário investir também em culturas que deêm retorno imediatoPlanejandoPara o produtor que pretende iniciar a atividade agora, os técnicos recomendam que planejem a propriedade. ‘‘A citricultura é rentável, mas nos primeiros anos a atividade só gera gastos. Então, para que o negócio agrícola torne-se viável, é preciso investir também em atividades que dêem retorno imediato’’, explica o engenheiro-agrônomo da SMAA, Osvaldo de Souza Campos Júnior.
Enquanto espera a primeira produção, o agricultor também pode utilizar a área para plantios intercalares com amendoim, feijão e batata-doce. ‘‘É importante enfatizar que a citricultura deve estar inserida em um planejamento de diversificação. A monocultura não é aconselhável’’, diz Bizzani.
Segundo os técnicos, a maior dificuldade está na implantação da lavoura, fase que gera mais gastos. Para cada hectare, o número de plantas recomendadas varia entre 360 e 439, conforme a cultivar. O preço da muda é de cerca de R$1,20. Ou seja, o produtor vai gastar em média R$480/ha na aquisição de mudas. ‘‘Mas, em contrapartida os citros são culturas perenes e a mesma planta produz durante 20 anos’’, conta Campos Júnior. A utilização de cultivares resistentes é uma das principais recomendações dos técnicos.
‘‘Assim é possível evitar doenças e ter pomares mais saudáveis’’, diz Bizzani. Os tratos culturais exigem mais de dedicação que as culturas tradicionais. É necessário um controle constante de pragas e doenças; a aplicação regular de adubos, inseticidas e acaricidas e o monitoramento para controle da mosca da fruta. Atualmente, os principais problemas da citricultura são o cancro cítrico e a Clorose Variegada dos Citros (CVC) ou amarelinho.
AmarelinhoApesar dos prejuízos provocados em lavouras paulistas pela Clorose Variegada dos Citros, Roes não considera a doença uma ameaça. ‘‘Ainda não existe uma solução definitiva, mas existem técnicas que permitem a convivência com o problema, sem muitos prejuízos’’, diz. O amarelinho é uma doença bacteriana que atinge atualmente cerca de 20% das áreas citrícolas do Estado de São Paulo e já provocou prejuízos de R$200 milhões. A contaminação ocorre através de mudas ou da cigarrinha. No Paraná ainda não existe registro de infestação pela doença. Com o cancro cítrico a preocupação é menor. ‘‘Existem tecnologias eficazes de controle’’, diz Campos Júnior. Além disso, há um rígido controle feito pela Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). ‘‘Para instalar um pomar de citros, é necessário a vistoria e autorização da Seab’’, explica o técnico da SMAA.

mockup