Garantir a constância na oferta da laranja de mesa durante todo o ano é o novo desafio lançado por um grupo de produtores do Norte do Paraná. Eles estão investindo no plantio da fruta com fases produtivas diferenciadas. Das lavouras em produção o grupo já consegue garantir laranjas frescas em, pelo menos, oito meses do ano.
Segundo o técnico da Emater, Lucas Batista Neves, de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio), os produtores que integram a associação Nova Citrus, decidiram investir na laranja de mesa pelo mercado em potencial da região. Ele explica que a produção de laranjas para consumo in natura demanda tratamento diferenciado. ''Diferente da laranja para a indústira, a de mesa tem que ter sabor e beleza'', destaca.
Até 1992, boa parte dos produtores trabalhava com uva. A busca por mais uma opção veio em seguida quando uma forte geada atingiu parte da produção de uvas em fase de maturação. Dois anos depois, o grupo, na época com cinco produtores, iniciou a instalação dos primeiros pomares num total de quatro alqueires. Atualmente, a Nova Citrus conta com 40 produtores e uma área de quase 100 alqueires. Além dos produtores de Nova América, a associação reúne citricultores de Assaí, São Sebatião da Amoreira, Cornélio Procópio e Santo Antônio do Paraíso.
Neves informa que este ano as quatro variedades de laranja em produção (pêra rio, shamout, folha murcha e valência), renderam um total de 31 mil caixas (cx) com 25 quilos. O pico de colheita ocorreu de junho a novembro e os preços obtidos pela fruta variaram de R$ 5,00 a R$ 10,00/cx. Para 2006, entram em produção os laranjais da cultivar navelina.
A associação dispõe de um barração (packing house) onde estão instaladas as máquinas para seleção, limpeza e classificação da fruta. Apesar do número de produtores envolvidos o volume de laranja ainda não atende a demanda de mercado. Pela associação as vendas só ocorrem com carga fechada. Os produtores têm autonomia para a venda de lotes menores diretamente nos postos de venda e supermercados. Nesse caso, eles pagam uma taxa de R$ 0,35/cx para o uso das máquinas.
A associação cuida da constante reciclagem e capacitação dos produtores com reuniões mensais. Neves explica que a formação alterna a cada mês aulas teóricas e práticas. A Nova Citrus mantém ainda um inspetor de pragas, ou pragueiro, que vistoria a ocorrência de pragas e doenças nas lavouras. Nos laranjais com até um ano de vida a vistoria ocorre uma vez por mês; os pomares de até dois anos recebem duas visitas mensais e a partir de três anos as visitas ocorrem três vezes por semana.
Cada vistoria tem um custo de R$ 10,00, pagos pelo produtor. A orientação para o controle químico, segundo o inspetor Edson Bezerra de Melo, varia de acordo com a praga encontrada. ''Quando se identifica o ácaro da leprose, por exemplo, o controle tem que ser imediato'', informa.
Além da qualidade da fruta os produtores de laranja de mesa garantem o respeito às carências dos defensivos químicos aplicados. ''A laranja só pode ser colhida quando vence o prazo estipulado pelo fabricante'', garante o técnico Lucas Neves.
A cultivar Navelina tem produção comercial em 2006. A colheita dessa espécie ocorre em abril. ''Fechamos, então, dez meses de oferta de laranja'', comemora. Neves destaca que os associados estudam a possibilidade da introdução de mais uma espécie de citrus, a tangerina satsuma, o que permitiria fechar o ciclo anual de oferta de laranjas.
A associção está em busca de novos produtores, mas há uma regra, a associação é quem irá determinar a variedade que deverá ser implantada. ''Precisamos de produção que atenda as necessidades da associação na constância da oferta'', frisa.

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