Lagoa quer aumentar venda de sêmen
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sexta-feira, 17 de agosto de 2001
Cláudia Barberato<BR>De Sertãozinho (SP) 
A Lagoa da Serra, com sede em Sertãozinho (SP), quer aumentar sua participação no mercado de venda de material genético no País, que hoje está em 22%. Completando 30 anos, a empresa disputa a liderança na venda de sêmen bovino no Brasil com a ABS Pecplan, de Uberaba (MG). O objetivo da Lagoa, segundo o gerente de marketing da empresa, Maurício José de Lima, é crescer 20% ao ano daqui para frente.
Para isso deverão manter os mercados já conquistados nos Estados do MS, MT, PR, MG e outros, além de ampliar a atuação no Rio Grande do Sul, Estado que mais insemina no País e onde a Lagoa tem apenas 8% em participação.
Crescimento potencial Maurício Lima afirma que a adoção da inseminação artificial ainda tem muito para crescer no Brasil. ''Hoje apenas 5% em média do rebanho brasileiro se reproduz pela inseminação. No desdobramento, a pecuária leiteira adota 8% e a de corte 4%. A técnica exige um investimento inicial mais alto, só que apresenta um custo-benefício melhor do que a monta natural.''
Há ainda, segundo Lima, alguma resistência dos pecuaristas. ''Na pecuária de corte esta resistência até se explica por algumas dificuldades de manejo, são criações mais extensivas. Mas essas barreiras precisam ser vencidas. Na pecuária leiteira é inadmissível que o índice não seja maior. O manejo é mais próximo e uma das maiores dificuldades, que seria a identificiação do cio das fêmeas, não é tão problemático. O empregado permanece mais próximo do rebanho o dia todo.''
O desconhecimento das vantagens da inseminação, acredita Lima, impede que a adoção seja maior. Segundo Marcelo Almeida, quando bem usada a inseminação traz um custo-benefício maior à atividade pecuária, porque se trabalha com acasalamentos dirigidos e touros provados. ''De acordo com o sistema de produção e objetivo da atividade, pode-se conseguir aumentar índices como peso a desmama, rendimento de carcaça, habilidade materna, aumento na produção de leite, entre outros. O uso da inseminação traz um melhoramento genético mais rápido ao rebanho.''
Serviços e parcerias Em relação ao ano passado a expectativa é crescer entre 14% a 16% este ano, informa Guus Laeven, diretor da Lagoa da Serra no Brasil, com a venda de 1,5 milhão de doses, contra 1,2 milhão de doses em 2000. ''Para isso trabalhamos em parcerias com instituições públicas e privadas, universidades, cooperativas, associações de criadores e outros setores ligados a agropecuária,'' afirma.
A empresa investe também na prestação de serviços e na formação de mão-de-obra especializada, entraves para ampliação da inseminação artificial no País. ''Uma mão-de-obra qualificada é meio caminho para o sucesso da inseminação,'' afirma o supervisor da área de corte da Lagoa, Marcelo Almeida. Segundo Almeida, a empresa realiza em média 40 cursos anuais e forma cerca de 2 mil alunos. Há também uma reciclagem para antigos alunos e a prestação de serviços nas fazendas de técnicos da própria Lagoa.
Para aumentar a eficiência tecnológica da inseminação, explica o gerente Maurício Lima, a Lagoa participa também da avaliação de animais, potenciais reprodutores para coleta de sêmen na central. Atualmente há parcerias com programas de melhoramento genético como o Red Beef Conection, o Programa de Avaliação de Novos Touros (Paint), Centro de Avaliação e Comercialização de Touros (CAT) e Programa Especial de Inseminação Artificial (Peia). Parte deste trabalho foi demonstrado no último dia 10, durante a comemoração dos 30 anos da empresa, com a apresentação de alguns reprodutores em coleta de sêmen na central e leilão de prenhezes. Durante o evento também foram homenageados pioneiros e pessoas que colaboraram para a evolução da empresa.
A jornalista viajou a Sertãozinho (SP) a convite da Lagoa da Serra.


