A central de inseminação Lagoa da Serra inaugurou, em setembro, um laboratório de sexagem de sêmen bovino em sua sede em Sertãozinho (SP). A unidade, construída com recursos próprios, recebeu R$ 6 milhões em investimentos e espera movimentar R$ 20 milhões por ano com a venda de até 250 mil doses.
O laboratório conta com quatro citômetros de fluxo para a seleção das células reprodutivas femininas e masculinas. O software utilizado na sexagem é produzido pela empresa norte-americana Sexing Technologies, que trabalha em parceria com a Lagoa. A produção atual gira em torno de 10 mil doses por mês, podendo chegar a 30 mil doses. Em testes desde abril, o sêmen sexado já está disponível no mercado a R$ 85 a dose. ''Nosso foco inicial é a pecuária de leite'', afirma Lucio Cornachini, vice-presidente da Lagoa.
Segundo ele, o custo-benefício do sêmen sexado compensa o investimento. ''É certo que o produtor vai gastar mais para inseminar uma vaca com o sêmen sexado, mas a vantagem está na garantia mínima de 85% de confiabilidade para o sexo escolhido'', aponta Cornachini. Para ele, a sexagem irá alavancar a inseminação artificial no Brasil, que hoje é de apenas 10%. ''No mundo esse índice chega a 90%'', calcula.
A rotina de trabalho, segundo Lúcia Helena Rodrigues, gerente de produção da Lagoa, envolve dois processos: a avaliação da qualidade do sêmen e a sexagem propriamente dita. Ela explica que o sêmen é coletado dos animais duas vezes ao dia, dois dias por semana. Após a coleta, o material é levado ao laboratório para análise morfológica e de mortalidade e só depois é colocado no citômetro para a seleção dos gametas.
De acordo com Lúcia, ainda no laboratório, o sêmen recebe uma coloração que diferencia os cromossomos X e Y. Já no citômetro, o material passa por um lazer, que separa as células reprodutivas femininas e masculinas por meio de cargas magnéticas. ''As células são separadas em palhetas e levadas para uma câmara fria a uma temperatura de cinco graus celsius, onde ficam por uma hora e meia. Só depois são congeladas'', assinala a gerente.
Considerando-se dados compilados nos Estados Unidos, Argentina e Holanda, a sexagem proporciona, em média, fertilidade 15% menor. O material genético de touros leiteiros é indicado preferencialmente para novilhas, cuja redução na fertilidade é estimada em apenas 5%. Não há restrição nas raças de corte.
A jornalista viajou a convite da Lagoa da Serra

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