Lago japonês completa paisagem
No passeio pela floresta do Recanto Matsuda, um momento de intenso encantamento é proporcionado pelo encontro com o lago japonês construído pelas habilidosas mãos dos três agricultores. Repleto de pacus, pintados, tilápias, entre outras espécies, o lago já acalentou a idéia de obter fonte de renda via pesque-pague - logo abandonada em nome da tranquilidade.
''A gente pensou em explorar o turismo rural no começo, mas depois chegamos à conclusão de que ia ficar tudo sujo, cheio de latinha de cerveja e lixo. Se a pessoa está pagando, você vai falar o que?'', indaga João Matsuda. ''Ah não, pensamos melhor e deixamos essa idéia para lá''.
A única fonte de queixa dos Matsuda atualmente é a redução do leito do ribeirão Uruguaiana, de onde retiram a água para a criação dos peixes. Há alguns anos, eram três lagos, no entanto, com a escassez de água, dois já secaram. ''Diminuiu muito, está acabando com a criação'', reclama Minoru, o único dos irmãos que reside na cidade (Londrina) e que passa no sítio apenas as horas de lazer.
A nascente do ribeirão fica na propriedade dos irmãos Petreli, localizada a menos de 2 km do Recanto Matsuda. Em visita ao local, a Folha constatou a instalação de uma bomba d'água exatamente no ponto em que a água brotava antigamente. O agricultor Carlos Petreli contou que a água é utilizada na criação de bicho da seda e frangos. Mas, segundo ele, a bomba d'água não é responsável pela redução de água no ribeirão Uruguaiana.
''A água diminuiu sim, ela ia até a propriedade do meu irmão, mas agora abaixou demais. Faz dez anos que isso vem acontecendo'', afirmou. ''O poço é a nossa salvação, se não tivesse ele, ficaríamos na seca''.
O fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Valter Piola, que vistoriou a região após a visita da Folha, afirmou que a redução da água ocorreu após a extinção da mata ciliar em torno das nascentes. De acordo com ele, a bomba d'água na propriedade dos Petreli, que retira aproximadamente 5 mil litros de água por dia não é responsável pelo problema. ''Eles tiram só 10% do volume. O problema lá é que a água é pouca mesmo''. Ainda de acordo com Piola, os agricultores já iniciaram a recomposição da mata ciliar.®MD77¯ (F.C.) ®MDNM¯





