La Niña pode trazer alterações
O verão começou às 23h56m (hora de Brasília) do dia 21 deste mês, trazendo chuva abundante, no meio da semana passada, e prosseguirá até às 22 h do dia 20 de março de 1999. A estação acha-se sob influência do fenômeno La Niña, que poderá alterar as características históricas do clima nesta estação: temperaturas elevadas em todo o País, com mudanças rápidas nas condições de tempo (chuvas fortes, queda de granizo, ventos fortes e descargas elétricas nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e parte da região Nordeste do Brasil. Por causa de La Niña, diz o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) essas condições poderão ser alteradas, com chuvas mais contínuas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, temperaturas um pouco abaixo do normal na região Sudeste, chuvas acima do normal nas regiões Norte e Nordeste e irregularidades nas chuvas na região Sul, com temperaturas acima do normal.
ModeraçãoNo seu alerta a respeito do verão que está começando, o Inmet informa que as condições de temperaturas na superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial apresentam, numa extensão de aproximadamente 16.000 quilômetros, um índice de anomalia de 4º C abaixo do normal nos últimos meses de 1998. O índice de Oscilação Sul (IOS), foi positivo pelo sétimo mês consecutivo, o que indica a consolidação do fenômeno La Niña.
Portanto - acrescenta - está sendo considerado um evento La Niña moderado, com o máximo de anomalias de temperatura negativas, ocorrendo provavelmente em janeiro, fevereiro e março de 1999. Os modelos numéricos climáticos e estatísticos indicam, segundo o Inmet, a persistência do La Niña até o mês de julho de 1999, enfraquecendo a partir de agosto de 1999.
A tendência do clima nas diversas regiões do Brasil depende principalmente de dois sistemas meteorológicos: Alta da Bolívia (Sistema de ventos em altitude localizado na região central do País) e da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Devido à influência do fenômeno La Niña, a Alta da Bolívia, deverá atuar bem definida mais na parte central do Brasil, enquanto a ZCAS estará atuando com mais intensidade nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Leste, Centro e Norte de Minas Gerais, provocando chuvas contínuas e inundações em algumas áreas - prevê o Instituto, acrescentando que essa situação poderá ser idêntica à ocorrida no de 1995.
Previsões por regiãoA seguir, as tendências apontadas pelo Inmet para este verão:
REGIÃO SUL - Com a ocorrência do La Niña, as chuvas, nos três Estados da região, deverão ser marcadas por grandes irregularidades, na distribuição espacial e temporal. Deverá chover em torno da média climatológica, porém, com poucos dias de chuva, ou com grandes volumes de precipitação em 24 horas.
As temperaturas máximas médias deverão ultrapassar, em dias de sol, os 38ºC na região, ficando as áreas serranas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná com variação entre 27 e 29ºC. As temperaturas mínimas médias deverão ficar entre 15 e 18ºC na região, ficando as áreas serranas com variação entre 14 a 16ºC . Na média geral as temperaturas poderão ficar de 3 a 5ºC acima no normal.
REGIÃO NORTE - Por ser uma região muito extensa, teremos variações nas condições de tempo de um Estado para o outro. Durante o verão, teremos a maior atividade do evento La Niña no Oceano Pacífico Equatorial, que será benéfico para a região, com chuvas muito acima do normal.
Pelo histórico dos anos de La Niña, trabalhos técnico-científicos, mostram uma razoável correlação, em algumas localidades da região Norte, entre a precipitação e o Índice de Oscilação Sul (IOS), com chuvas consideráveis em toda a região, podendo ocorrer enchentes.
REGIÃO NORDESTE - Para esta região, provavelmente teremos chuvas muito acima do normal. As primeiras chuvas já estão ocorrendo com muita intensidade em grande parte do Maranhão, Piauí e Bahia. No restante da região o período chuvoso vai de fevereiro a maio.
Os modelos climáticos estão prevendo para janeiro, fevereiro e março de 1999, núcleos de precipitação bastante acentuados nos Estados do Ceará, Bahia e Litoral Norte da região (com chuvas de até 7 mm/dia).
REGIÃO CENTRO-OESTE - Os modelos climáticos de longo prazo indicam para o mês de janeiro chuvas acima do normal para todos os Estados da região e irregularidades na precipitação em fevereiro e março, com a ocorrência de veranicos fracos (período de 7 a 10 dias sem chuva) nos Estados de Goiás e Mato Grosso. No Sudoeste do Mato Grosso e Sul do Mato Grosso do Sul haverá possibilidade de ocorrerem chuvas intensas nos meses de janeiro e fevereiro, principalmente no Pantanal, devido à presença da Alta da Bolívia mais ao sul.
As temperaturas deverão ficar abaixo do normal.
REGIÃO SUDESTE - Com a presença da ZCAS atuando na região, as precipitações deverão ficar bem acima do normal, com a ocorrência de chuvas contínuas, queda de granizo e ventos de intensidade forte nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Há possibilidade da ZCAS ficar estacionada nos Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, podendo ocorrer enchentes nos rios desses Estados.
As temperaturas deverão ficar abaixo do normal em toda a região, devido à possível ocorrência de chuvas contínuas. No Rio de Janeiro, em dias ensolarados, as temperaturas deverão ultrapassar os 40ºC.





