Kit de monitoramento minimiza perdas na colheita de soja no PR

Nos últimos 40 anos, uso crescente da ferramenta desenvolvida pela Embrapa faz despencar desperdício da leguminosa

Lucas Catanho/Especial para a FOLHA
Lucas Catanho/Especial para a FOLHA

Um kit de monitoramento de perdas na colheita de soja, desenvolvido pela Embrapa na década de 1980, é um dos grandes responsáveis pela redução de desperdício da cultura ao longo dos anos no Estado do Paraná.



Ao medir o desperdício e identificar as causas, o monitoramento integrado da colheita da soja no Estado registrou a redução das perdas de três a sete sacas por hectare, nos anos 1980, para pouco mais de uma saca pela mesma medida de área (1,05 saca/ha) na última safra 2019/2020. Índice bem próximo do aceitável, estabelecido pela Embrapa, para desperdícios da leguminosa: até uma saca de 60 kg por hectare plantado.

E já existem produtores paranaenses que chegaram à excelência quando o assunto é produtividade de soja.

É o caso do produtor Hélson José Pirani, que planta 50 hectares de soja na divisa entre dois municípios paranaenses, Ângulo e Flórida. Ele utiliza há 11 anos o kit de monitoramento de perdas na colheita de soja desenvolvido pela Embrapa.

Hélson elogia a precisão da ferramenta de diagnóstico. “Na última safra, perdi em torno de 9 a 10 quilos por hectare”, contabilizou o produtor. A produtividade média da safra anterior ficou em torno de 39 sacas de 60 quilos obtidas por hectare. Isso significa que a perda foi praticamente nula – o índice ficou em menos de 0,20 saca perdida por hectare.

Segundo Hélson, o diagnóstico preciso do kit faz com que, a partir de dados precisos, seja possível melhorar de maneira constante a regulagem da máquina colheitadeira, reduzindo consideravelmente as perdas na hora da colheita.

“Vale lembrar que cerca de 70% a 90% das perdas estão relacionadas a problemas na plataforma de corte da colhedora e, por isso, a necessidade de regulagens ao longo do processo de colheita por profissionais capacitados”, explica Osmar Conte, pesquisador da Embrapa.


 

Monitoramento dos grãos caídos dentro da armação após a passagem da colhedora
Monitoramento dos grãos caídos dentro da armação após a passagem da colhedora | Antonio Neto/Arquivo Embrapa
 





Média nacional

No Brasil, estima-se que as perdas durante a colheita de soja sejam de duas ou mais sacas por hectare, em média. Os levantamentos realizados são ferramentas de diagnóstico porque, a partir da caracterização do cenário de campo, podem ser elaboradas estratégias corretivas para os locais em que ocorrem desperdícios.

Na década de 1980, a Embrapa desenvolveu um kit bem simples que pode reduzir muito os prejuízos causados por perdas no momento da colheita.

“A otimização do processo de colheita da soja passa pela quantificação das perdas e o entendimento das suas causas, bem como a promoção de treinamentos para a qualificação de operadores de colhedoras”, lista o pesquisador da Embrapa.

A metodologia considera a relação entre o peso e o volume de grãos. Constantemente atualizada, é aprimorada para se adequar às novas máquinas e às mudanças no processo produtivo da soja.


 

Copo medidor aponta a quantidade de grãos perdidos de soja durante a colheita: ferramenta pode ser feita pelos agricultores
Copo medidor aponta a quantidade de grãos perdidos de soja durante a colheita: ferramenta pode ser feita pelos agricultores | Antonio Neto/Arquivo Embrapa
 



O kit

O kit de monitoramento de perdas na colheita usado na colheita de soja é formado por um copo medidor, um manual orientador, uma armação de 4,0 m de largura por 0,5 m de comprimento e quatro pinos de fixação da armação.

O método do copo medidor consiste em recolher todos os grãos que estiverem soltos sobre o solo ou dentro de vagens, após a passagem da colhedora, dentro de uma área delimitada (armação) de coleta de 2 m², disposta transversalmente às linhas de plantas.

Todos os grãos recolhidos nessa área amostral são depositados no copo, que apresenta o nível de perda tolerável (até 1,0 saca de 60 kg/ha) ou de desperdício que ocorreu naquele ponto.

Comercialização

O kit é comercializado pela Embrapa, entretanto, é possível confeccionar a armação própria, de acordo com as instruções que constam em um manual, em função da largura da plataforma de alimentação/corte da colhedora. Para tanto, poderão ser usados materiais de uso comum na propriedade rural, como ripas de madeira, canos de PVC, barbante ou corda trançada.

Interessados no kit podem entrar em contato com a Associação dos Empregados da Embrapa (AEE-Soja) pelo e-mail: [email protected] ou pelo telefone (43) 3371-6119.



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