Kepler Weber inaugura nova fábrica
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sábado, 27 de novembro de 2004
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
De olho no crescimento da safra e no principal entrave que esta ampliação pode trazer - a falta de espaço para guardar a produção de grãos -, a Kepler Weber, empresa gaúcha de sistemas de armazenagem, inaugurou na semana passada em Campo Grande (MS), mais uma indústria de equipamentos para armazenagem e instalações portuárias.
A nova planta, que começa a operar em janeiro, dobra a capacidade de processamento da empresa para 100 mil toneladas (t) de aço por ano e tem custos 20% menores do que a unidade que a empresa já mantém em Panambi (RS), o que deve garantir preços competitivos para os novos equipamentos.
Num momento de queda de renda do produtor, devido a oscilação nos preços das commodities, especialmente a soja, Othon D'Eça Cals de Abreu, o diretor-presidente da empresa, admite que o setor de produção está ''sem saber o que fazer devido a indefinição por parte do Governo Federal para o crédito de financiamento e custeio e, com isso, colocando o pé no freio nos investimentos.''
Pela primeira vez, segundo ele, o produtor precisa de apoio no crédito para armazenagem de grãos. Mesmo assim, o empresário acredita que é um bom momento para ampliar as vendas. ''O produtor sabe que terá que segurar seu produto para vender depois, num momento de preços melhores.'' Segundo Abreu, a ampliação da área cultivada - ''em 25% nos últimos cinco anos'' -, também deverá ser um atrativo para ampliar as vendas do setor de armazenagem que convive hoje com uma defasagem de 30% de uma safra que deverá ficar entre 130 a 135 milhões de toneladas.
Mesmo com o atual cenário a carteira de pedidos da empresa ainda não sentiu uma retração nas vendas. ''Os clientes estão analisando os preços e nem por isso deixando de comprar.'' Os pedidos estão dentro da média histórica de 60 a 90 dias de produção nesta época do ano para mercados interno e externo. Vinte por cento da produção da Kepler Weber é exportada. No mercado interno o Paraná é o segundo mercado da empresa com uma participação de 60% no Estado.
Cerca de 70% das vendas brutas da Kepler, que totalizaram R$ 361,7 milhões em 2003 e devem alcançar pelo menos R$ 420 milhões este ano, foram pagas com recursos próprios dos agricultores, o que torna o cenário mais complicado quando há retração nos preços dos comodities e consequente queda na renda do produtor rural.
Segundo Abreu, o produtor tem hoje as linhas normais de crétido de financiamentos previstos no Plano Agrícola e Pecuário 2004/05, como Finame, Moderinfra, mas é preciso desburocratizar o processo para que os recursos cheguem mais fácil ao produtor. ''As linhas existem, o que falta é esse crédito fluir.'' De acordo com Abreu o tempo médio para liberção de recursos está em 156 dias. ''Passa a safra e não sai o financiamento.''
No primeiro ano de operação a unidade de Campo Grande, que vai se concentrar na produção de sistemas para armazenagem, deve processar 26,5 mil t de aço. A produção de silos-secadores visa atender a produtores que tenham uma produção acima de 300 t, num média entre 2.500 a 3 mil t.
Ao mesmo tempo a fábrica de Panambi reforçará as linhas de equipamentos portuários. De acordo com Abreu a atual capacidade de armazenagem nos portos é de 17 milhões de t e se não chegar a 31 milhões de t nos próximos oito anos os grãos vão chegar ao porto e voltar para as fazendas por falta de armazenagem.
Outro ponto crítico está nas propriedades. Enquanto que nos Estados Unidos 65% das propriedades possuem armazenagem e na Argentina cerca de 25% dos produtores tenham seu próprio sistema para guardar a safra, no Brasil esse índice não chega a 10%.
De acordo com números da Conab, 25% dos armazéns brasileiros são convencionais e 74% graneleiros. A distribuição é feita da seguinte maneira: 29% na zona rural, 9% nas fazendas, 6% na região portuária e 56% na zona urbana. Baseada na produção da safra 2003/04, de 119,3 milhões de toneladas, e a capacidade estática de 94 milhões de toneladas, o déficit é de 25,3 milhões de toneladas no setor.
Enquanto a agricultura cresceu rapidamente nos últimos anos, só da safra passada em relação a este ano o crescimento será de 9% - de 119,3 milhões para 130/135 milhões de toneladas -, o setor de armazenagem parou, avalia Abreu. ''Hoje a armazenagem se tornou um caso de segurança nacional.''


