Cláudia Barberato
De Londrina
O pecuarista Wilson Brochmann, diretor da Agropecuária Maragogipe, empresa que cria a raça bovina limousin e faz cruzamento industrial com o nelore, também é criador de jumentos pega há mais de 18 anos, sendo um dos mais antigos criadores do Mato Grosso do Sul. Do cruzamento dos jumentos saem burros e mulas, animais utilizados no manejo dos bovinos ou no trabalho de tração nas quatro propriedades do grupo Maragogipe.
A criação, segundo ele, começou por necessidade. A lida com o gado exigia a compra de burros e mulas, para facilitar o trabalho de apartação dos animais e outros serviços no campo. ‘‘Quando ia procurar burros e mulas para compra não achava animais nem de qualidade nem da quantidade que precisávamos’’, conta Brochmann.
Monta programadaHoje o criador mantém um plantel de 40 jumentas e dois jumentos reprodutores. O chefe do plantel é o reprodutor ‘‘Jaguar do Varjão’’, campeão nacional da raça pega. Os animais são criados na fazenda do grupo, em Itaquiraí, Mato Grosso do Sul, com monta controlada que começa em outubro e vai até janeiro.
No manejo de criação, bastante rústico segundo Brochmann, é identificado o cio das jumentas e feita a cobertura, em monta natural, com os jumentos. Os jumentos machos também cobrem éguas, o que resulta no burro e na mula, um animal híbrido que não se reproduz, usado para serviço de campo.
Os filhos do cruzamento do jumento com a jumenta servem para preservar a espécie e manter o plantel de animais da fazenda. Já o híbrido, burro ou mula, são mais indicados para o serviço diário no campo. ‘‘O burro ou a mula podem ser usados em fazendas, que necessitam de animais para percorrer grandes distâncias, sendo mais resistentes para trabalhar dias seguidos sem muito descanso’’, destaca o criador.
Outra vantagem dos jumentos, burros e mulas, segundo Brochmann, é a longevidade dos animais. ‘‘Chegam a durar de 10 a 30 anos’’, garante o criador. Também são menos exigentes em alimentação e criados de maneira rústica.
Na criação de Brochmann as fêmeas jumentas que não servem para a reposição do plantel são vendidas para outros fazendeiros. Atualmente, o criador tem um lote de 12 fêmeas e 8 machos que serão destinados para a venda. Os animais são comercializados no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraguai. O preço das fêmeas gira em torno de R$1.500/1.400 e os machos valem R$2.000.
Mesmo não sendo o maior negócio da empresa, a criação de jumentos, segundo Brochmann, é uma necessidade para o bom andamento da criação de gado de corte e outras atividades na fazenda. ‘‘Existem poucos plantéis selecionados no Brasil, por isso trabalhamos bem a criação de nossos animais’’, garante Brochmann.
Na fazenda Maragogipe, do grupo do mesmo nome, onde existe a criação de jumentos há também o cruzamento de 6.500 vacas nelore com limousin. Brochmann é também um dos pioneiros no cruzamento industrial, prática que ele adota desde 1980. Os jumentos, burros e mulas são utilizados também em outras três fazendas do grupo.
Animais melhoradosPara conseguir animais de características melhoradas, é feito o cruzamento de jumentos com éguas das raças campolina e quarto-de-milha. Com a égua campolina buscam-se animais de melhor andamento, de andar macio, para uso em estradas rurais.
Animais frutos desse cruzamento, garante Brochmann, são capazes de percorrer uma média de 80 a 90 quilômetros por dia, levando gado de um retiro para outro, dentro da fazenda, ou de uma propriedade para outra.
O cruzamento do jumento com éguas quarto-de-milha resulta em filhos para trabalho de apartação em curral ou manejo de bezerros. ‘‘Os animais cruzados têm melhor desempenho nas tarefas a campo’’, afirma Brochmann.Eficientes e rústicos, os muares fazem a apartação do gado ou o trabalho de tração de uma fazenda
Josoé de CarvalhoO jumento pega cruzado com éguas resulta em animais melhorados no andamento e na rusticidade, facilitando trabalho na fazendaOs filhos da cruza do jumento (foto) com a jumenta servem mais para preservar a espécie

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