Milton DóriaIreno Casemiro da Costa: ‘‘Os olhos precisam ficar atento aos detalhes’’.Antigamente o gado era abatido aos cinco, seis anos de idade; hoje, graças aos cruzamentos industriais, o animal vai para o frigorífico aos dois anos e meio. A evolução genética das raças costuma ser avaliada, principalmente, durante as exposições agropecuárias. É nessas ocasiões que o criador faz a comparação do seu rebanho. Ter um animal premiado muitas vezes pode significar, para o pecuarista, mais dinheiro no bolso ou bife mais macio e mais barato no prato do consumidor.
O julgamento de animais não é tarefa para amadores. ‘‘A experiência do juiz vem da fazenda, do contato diário com o animal’’, explica o veterinário Arnaldo Machado Borges, de Uberaba (MG), membro do Colégio de Jurados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), Borges participou de julgamentos na Expo’97. ‘‘Os olhos precisam estar atentos aos detalhes’’, acrescenta Ireno Casemiro da Costa, veterinário que há 23 anos trabalha na Sociedade Rural do Paraná. Ireno também é juiz.
O julgamentoA maioria das raças é julgada através do conjunto de raça, progênie de pai e progênie de mãe. O conjunto de raça é o julgamento de quatro animais, independentemente de sexo, pai e mãe, mas que deverão ser do mesmo expositor e do mesmo criador. Progênie de pai é o julgamento de quatro animais de qualquer sexo, todos filhos do mesmo pai, pertencentes ao mesmo expositor e enquadrados dentro das exigências de idade e peso mínimo.
Experiência‘‘O aprendizado vem da fazenda’’, diz Arnaldo Machado.
Progênie de mãe é o julgamento de dois animais de qualquer sexo, mas filhos da mesma mãe. ‘‘Nessas horas, a gente percebe que a evolução da pecuária brasileira é fantástica’’, observa o mineiro Arnaldo Machado Borges. ‘‘Essa evolução é possível de notar até na postura do animal’’, assegura Ireno Casemiro da Costa.
No julgamento o juiz avalia, por exemplo, a sexualidade do animal. ‘‘A gente vê a masculinidade do macho e a feminilidade da fêmea, pois essas características deverão ser tanto acentuadas quanto maior a idade dos animais’’, conta Ireno Casemiro da Costa. Outro item avaliado é a característica econômica do animal.
Nesse quesito, segundo o veterinário Ireno da Costa, avalia-se a distribuição muscular dos membros dianteiros e traseiros e se deve dar ênfase à precocidade de acabamento muscular do animal, o que é muito importante à idade de 18 meses. No caso do touro, diz Arnaldo Machado Borges, é preciso analisar se ele é um bom transmissor de carga genética.
A constituição óssea e a altura do animal também são analisados pelos juízes, bem como o desenvolvimento, a forma e a implantação do cupim, a abertura do peito e o arqueamento de costelas, além do comprimento e largura da região dorso-lombar. A evolução da pecuária brasileira, na opinião do veterinário Arnaldo Machado Borges, deve-se ao melhoramento das pastagens, à utilização de sêmen em maiores escalas e à transferência de embriões.
Arnaldo Borges acredita que o nelore é o animal mais eficiente para a produção de carne, ‘‘por causa da rusticidade, fertilidade e precocidade em produzir carne de boa qualidade e saudável’’.

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