Em Astorga (80 km a oeste de Londrina), um grupo de jovens se destaca na composição do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município. Segundo o presidente do Sindicato, Claudinei de Carli, 39 jovens agricultores e assalariados constituiram uma diretoria e há dois anos trabalham com recursos próprios. ''Melhorou a autoestima e o sonho deles como agricultores. Alguns até estão estudando na escola agrícola, buscando conhecimento para ajudar as famílias a crescer'', contou.
Já em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), Valdeir Gomes Camargo, de 27 anos, é exemplo de jovem produtor rural que decidiu permanecer no campo, seguindo a tradição familiar. Casado e pai de um casal de filhos, Camargo produz hoje 150 litros diários de leite agregando as dez vacas leiteiras que comprou por conta própria à porcentagem que recebe pelo trabalho feito na fazenda da avó, a qual ajuda a tocar com o pai e outros quatro tios.
''Sai da roça por um ano porque não dava nada, mas quando meu avô morreu resolvi voltar. Na fazenda temos gado de leite e de corte e avicultura, mas comecei uma produção própria, arrendando quatro vacas de um vizinho em troca do pasto'', relembrou Camargo, confessando que gosta do que faz. ''Como não tenho estudo, fica difícil conseguir trabalho na cidade. Também prefiro trabalhar no que é meu.''
Procurando participar sempre dos cursos ofertados pelo Senar e Emater, Camargo ocasionalmente tem a ajuda do filho mais velho, hoje com nove anos, que parece gostar de acompanhar o pai na lida do campo. ''A realidade na roça é diferente da cidade, falta incentivo e hoje muitos jovens estão saindo das propriedades rurais. Se meu filho decidir trabalhar na terra, ficarei feliz, mas também procuro incentivá-lo a estudar para que tenha melhores oportunidades.'' (M.G.)

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