Jovem busca mais que a sobrevivência no campo
O sucesso do jovem no agronegócio está ligado ao resgate de valores como família, sociedade e profissão, explica o administrador de empresas Gilberto Wiesel. Para ele, ao descobrir sua real vocação na vida, o jovem deve buscar conhecimento e batalhar pela sua escolha. ''Somente com foco definido ele consegue mudar a realidade'', diz.
Nos casos em que o filho se dispõe a seguir a carreira do pai, que não dá espaço para o jovem se destacar nas atividades da propriedade, ''é preciso paciência'', ensina Wiesel. Segundo ele, o patriarca, muitas vezes, enxerga o descendente como um concorrente e tem medo de perder o controle das ações. ''O jovem deve, então, usar o conhecimento adquirido com os estudos para tomar conta do negócio familiar aos poucos. Ele deve somar e não substituir o espaço do pai.''
Numa época em que o agronegócio está em baixa, as profissões da cidade grande têm se tornado mais atrativas que o trabalho no campo. ''Se a família entender que a propriedade é um negócio e não um simples pedaço de terra para sobrevivência, as perspectivas mudam, pois o jovem quer dinamismo'', destaca.
Além de ter objetivos claros na vida e nos negócios, é preciso comprometimento e persistência, completa o administrador Heinz Artur Shurt. Segundo ele, planejamento e uma rede de relacionamentos facilitam o trabalho do jovem produtor. ''O pequeno só sobrevive na união e a tendência atual prega o associativismo'', afirma.
Wiesel e Shurt palestraram para mais de 400 jovens entre 16 e 25 anos no II Encontro de Jovens Produtores realizado pela Cocamar na última terça-feira, em Maringá. O objetivo do evento, ressalta o gerente de cooperativismo Marcelo Silva Bergamo, é estimular a sucessão familiar entre os filhos dos cooperados. ''Pretendemos abrir um canal entre o jovem e a cooperativa e fornecer a ele toda a informação de que precisa para entender o agronegócio e seguir nessa profissão.''
De acordo com Bergamo, a cooperativa conta hoje com dois grupos, formados por cerca de 25 jovens produtores cada, e promove encontros mensais que estimulam o empreendedorismpo e o espírito de liderança. ''Eles descobrem que podem conciliar os estudos com o agronegócio e que não precisam buscar um salário muitas vezes medíocre na cidade se escolherem se dedicar à agropecuária.'' (M.G.)





