A Cooperativa Agropecuária dos Cafeicultores de Porecatu (Cofercatu) comemora 40 anos no próximo dia 15. Durante esses anos todos a empresa testemunhou fases históricas da agricultura regional. Fez parte de todas essas etapas. Começou com café, principal objetivo de sua fundação, em 1963; teve papel importante na transição da cafeicultura para a dobradinha trigo e soja, no início dos anos 70, ao mesmo tempo em que deu suporte econômico e técnico à lavoura de cana; mantém uma destilaria, implantada com a consolidação do Proálcool, no início dos anos 80.
Seu presidente, o engenheiro agrônomo José Otaviano de Oliveira Ribeiro, lembra detalhes e episódios dessas fases e dos momentos difíceis que a cooperativa viveu juntamente com os associados; enfrentou as adversidades climáticas e as adiversidades decorrentes de planos econômicos, como o Cruzado (para citar um exemplo) em meados da década de 80, além de uma série de medidas pontuais casuísticas.
No tempo do café, a Cofercatu enfrou crises como a chegada da ferrugem, em 1969. Teve que importar cobre e outros produtos. Experiências novas também foram vividas com o trigo - e ainda hoje Otaviano se recorda dos nomes das primeiras variedades adaptadas do México.
A história da Cofercatu, que se confunde com a história da agricultura regional, é longa e cheia de desafios, costumam dizer seus diretores e funcionários mais antigos. Um balanço, entretanto, vai mostrar mais vitórias do que recuos, conforme o seu presidente, e que se expressam através a) da boa saúde financeira e patrimonial, b) da expansão de unidades recebedoras de cereais e distribuidoras de insumos, c) padrão de prestação de serviços, d) através do papel social na região, com o emprego da mão-de-obra dos municípios onde atua, e) o número de funcionários, d) a riqueza que distribui diretamente e através dos impostos que recolhe.
A briga pelo café Conforme a assessoria da Cofercatu, a cooperativa foi fundada por um grupo de 28 cafeicultores insatisfeito com o sistema de comercialização de sua produção. Na época, o proprietário da máquina de beneficiar café comprava toda a produção e revendia o café com grande lucro. Para fugir da dependência dos chamados ''maquinistas'', o grupo resolver se unir, aproveitando os incentivos financeiros que o Instituto Brasileiro do Café (IBC) fornecia para construçãode armazéns e compra de equipamentos. O grupo fundou a cooperativa com objetivo de beneficiar, rebeneficiar, padronizar, vender e exportar a produção de seus cooperados.
Com muito trabalho, a cooperativa começou a dar certo. Logo, o grupo percebeu que poderiam unir as forças também para realizar as compras de insumos em conjunto, barateando custos para todos. Em 1965 já contava com 130 cooperados e recebia 200 mil sacas de café para comercialização e já fornecia em torno de mil toneladas de adubo. A Cofercatu começou a atrair novos associados até o ponto em que chegou a ser a cooperativa brasileira com o maior estoque de café disponível e 1.400 cooperados.

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