Jersey faz 100 anos no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Elvira Fantin<br>Sucursal de Curitiba 
Os animais foram trazidos por Assis Brasil e levados à granja Ibirapuitã, em Alegrete (RS). Antes de chegar ao Brasil, eles passaram por Portugal e pela Argentina, de onde entraram no Rio Grande do Sul. De lá para cá a raça se expandiu por vários Estados brasileiros e hoje o plantel em todo o País chega a 200 mil cabeças criadas por 5,3 mil pecuaristas.
Apesar de estar em praticamente todo o País, a raça, especializada na produção de leite, concentra-se mais nos Estados de São Paulo e Paraná. Só no Paraná são 250 criadores que mantêm um plantel de 20 mil cabeças. A raça jersey é numericamente a segunda maior em criação no Mundo, garante Lício Ribeiro, presidente da Associação dos Criadores de Gado Jersey. Segundo ele, nos Estados Unidos o jersey é a única raça leiteira em expansão hoje.
Divulgação Para comemorar os 100 anos do Jersey no Brasil, a associação está investindo na divulgação da raça. Para isso está iniciando um intercâmbio com instituições de ensino das áreas de Agronomia, Veterinária e Zootecnia.
O primeiro convênio já foi firmado, com a Faculdade de Agronomia Luiz Meneguel, de Bandeirantes, no Norte do Paraná. Através do convênio, a associação fornece animais que são usados nas aulas práticas e também em estações de monta para o fornecimento de sêmen.
Além de divulgar a raça entre os alunos de Agronomia, Veterinária e Zootecnia, o convênio permite a melhoria do rebanho comum de pequenas propriedades, através de inseminações artificiais feitas a partir do sêmen do gado jersey, usando o serviço de extensão rural mantido pela Faculdade, explica Bruno Jordão Filho, diretor de marketing da Associação de Criadores de Gado Jersey.
Leite melhor De acordo com dados da Associação de Criadores de Gado Jersey o leite desta raça tem uma qualidade acima da média das demais raças leiteiras. O leite da raça jersey tem um teor de proteína mais elevado, comparado com as demais raças leiteiras, afirma Nilo da Rocha Ferreira, vice-presidente da associação.
Segundo ele, o teor de proteína é 20% superior e este leite tem ainda 15% a mais de cálcio do que o leite de outras raças. Os teores de lactose, gordura, vitaminas e minerais também é maior, segundo dados da associação. Esta composição mais rica, afirmam os técnicos, garante um maior rendimento na industrialização do produto e, principalmente, na produção de derivados lácteos.
Na produção de queijo, por exemplo, o leite da raça jersey proporciona um rendimento 25% superior, se comparado com o produto de outras raças leiteiras. Na produção de manteiga o rendimento é ainda maior, chegando a 35%. Além disso, o leite da vaca jersey garante uma produção extra de 454 gramas de leite em pó.
Segundo a Associação dos Criadores de Gado Jersey, por estas características a raça tem sido cada vez mais adotada por criadores de outras raças leiteiras. A mistura do leite da vaca jersey ao produto das demais raças tem sido uma prática comum, para garantir maior rendimento no processo de industrialização e produção de derivados do leite, informa o diretor de marketing da associação.


