O produtor José de Souza gosta de mostrar seu hobby a quem chega ao seu sítio nos arredores de Londrina. A criação de javaporcos, soltos em piquetes transformados em pastos, tenta ficar o mais próximo possível do ambiente que esses animais têm na natureza. Para os menos avisados, ele vai logo explicando que o ''bicho'' é um cruzamento de porcos comuns com o javali e que produz uma carne de menor teor de gordura e, na sua opinião, mais saudável. ''Meu médico já provou da carne e aprovou,'' conta seo José que completa: a carne é macia e menos gordurosa e, na aparência, lembra a carne do suíno.
A idéia de criar os javaporcos começou há quatro anos quando seo José comprou dois casais de javali para o cruzamento com porcos comuns que já habitavam o sítio. O local tem também granja de aves e milho cultivado como alimento aos animais e para venda como grão.
Hoje o plantel de javalis somam 12 fêmeas e dois machos, além de oito fêmeas comuns que servem como reprodutoras nos cruzamentos. O rebanho dos javaporcos já atingiu 85 cabeças e, segundo Caio Souza, filho de seo José, após os nascimentos, os filhotes não chegam a atingir 10 kg e já tem gente interessada na compra da carne.
Como o objetivo não é fazer da criação um negócio, a produção serve para consumo da família e dos amigos mais chegados. O interessado em comprar deve desembolsar R$ 7 pelo quilo. O dinheiro ganho com a venda é reinvestido na criação, garante Caio. Segundo ele, a produção já está toda comprometida com os amigos que já provaram da carne do javaporco. A propriedade também não teria área disponível para uma criação maior já que os animais, garante, precisam de muita área para andar, áreas de água, e espaço para não se ressentirem de estarem longe de seu habitat natural.
Os javalis, porcos e javaporcos ali existem animais puros, meio-sangue e 3/4 ficam concentrados numa área de 2 alqueires dos 10 do sítio, divididos em piquetes e três represas. Os animais precisam muito da água, conta Caio. Há também uma instalação para as fêmeas prenhas, as paridas e uma creche para os filhotes antes de serem soltos no pasto.
Como o javali tem pelagem escura e o porco comum mais claro, na cruza os filhotes nascem rajados. Uma porca comum, na cruza como o javali, dá em média oito filhotes. Apenas na materninade o cardápio é diferenciado para as porcas. Elas ficam ali em média por três meses e recebem um concentrado além de outros alimentos para que produzam leite suficiente para alimentar os filhotes. O restante do rebanho recebe milho, cará, mandioca, abóbora, frutas, basicamente um pouco de tudo o que existe na propriedade, além de muito verde.
''O trato é rústico,'' explica Caio. Seo José completa: ''o animal não precisa engordar muito, mas se manter. Há cria o ano inteiro e eles precisam estar saudáveis.'' No manejo também não há muito trabalho. Como os animais são meio ariscos é preciso apenas, conta Caio, ficar atento e separar as brigas.

mockup