Japurá lidera produção de acerola no Paraná
Clima e solo favoráveis, tradição e mão de obra, além da questão logística e do associativismo, explicam o protagonismo do município
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de junho de 2026
Clima e solo favoráveis, tradição e mão de obra, além da questão logística e do associativismo, explicam o protagonismo do município
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Município do Noroeste, Japurá lidera a produção de acerola no Paraná, com 41,8% de participação estadual no volume e no VBP (Valor Bruto de Produção) da fruta. A estatística é produto de levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), com dados referentes a 2024.
Em Japurá, a acerola foi cultivada em 85 hectares de terras, resultando em uma colheita de 1,3 mil toneladas e VBP de R$ 5,5 milhões. Com relação à área da fruta plantada no Estado, o município respondeu por 32,2%.
A liderança do município na produção de acerola no Paraná é expressiva – em segundo lugar figura Nova Tebas, na região central do estado, com participação de 10,6% nos volumes colhidos e no VBP.
Fatores como clima e solo favoráveis, tradição e mão de obra, além da questão logística e do associativismo explicam o protagonismo de Japurá na produção de acerola.
“O clima subtropical da região, com verões quentes e alta taxa de insolação, associado a solos de boa fertilidade e drenagem, cria o ambiente ideal para o desenvolvimento do fruto”, explica a engenheira agrônoma Yanara dos Santos Ribeiro, extensionista rural do IDR (Instituto de Desenvolvimento Rural) Paraná.
Outro fator apontado pela técnica é a transição de culturas tradicionais, como o café, para a fruticultura, encontrando no município um agricultor familiar altamente adaptável e dedicado ao manejo intensivo que a cultura exige.
“Além disso, a localização geográfica estratégica no Noroeste do Estado, combinada com a organização dos produtores e a proximidade com indústrias de processamento, consolidou o município como um polo de referência”, completa.
Ao todo, há cerca de 60 produtores da fruta no município. Hoje, entre 90% e 95% da produção de acerola em Japurá provém da agricultura familiar. “Embora haja propriedades de médio porte que utilizam mão de obra contratada nos períodos de safra, o cerne da atividade reside na gestão e no trabalho do núcleo familiar, o que garante o sustento de dezenas de propriedades rurais.”
Em termos de empregabilidade, a cultura é altamente demandante de mão de obra, especialmente na colheita, que é manual e diária durante o período produtivo, que vai de outubro a abril.
“Estima-se que a atividade gere cerca de 200 a 300 empregos diretos e indiretos sazonalmente, movimentando de forma expressiva o comércio local e o setor de serviços logísticos.”
DESTINO
A produção de acerola em Japurá atende predominantemente à indústria de processamento de polpas, sucos e extração de nutrientes, além de abastecer o mercado de frutos frescos (in natura).
O fluxo comercial do fruto in natura concentra-se fortemente na própria região e em polos agroindustriais estratégicos. “Esse ecossistema industrial diversificado assegura um escoamento ágil e dinâmico, fator crucial dada a alta perecibilidade da acerola.”
DESAFIOS
Entre os desafios enfrentados pelos produtores, a técnica aponta os de ordem climática, fitossanitária e operacional. “Períodos prolongados de estiagem ou excesso de chuvas na época da colheita afetam diretamente o teor de brix (açúcar) e a qualidade do fruto. Além disso, a escassez de trabalhadores para a colheita manual diária tem inflacionado os custos de produção.”
Sobre o manejo de pragas e doenças, ela destaca como grande desafio o controle de nematoides e de doenças fúngicas, algo que exige monitoramento constante e assistência técnica rigorosa.
Por fim, a técnica cita os custos de insumos. “A oscilação nos preços de fertilizantes e defensivos impacta diretamente a margem de lucro do produtor.”
POTENCIAL
A extensionista do IDR reforça ainda o potencial de agregação de valor através do mercado de fitoterápicos e da exportação. “A acerola de Japurá é reconhecida pelo alto teor de ácido ascórbico (Vitamina C). Existe uma tendência crescente de indústrias farmacêuticas buscarem o fruto verde para a extração desse nutriente, o que pode abrir canais de comercialização ainda mais rentáveis para o município nos próximos anos, consolidando a região não apenas como fornecedora de polpa, mas de matéria-prima biotecnológica”, aponta.
LUCRO
A produtora Camila Simões Valençola começou a cultivar acerola há 12 anos em Japurá para ampliar a renda familiar. No ano passado, produziu 14 toneladas da fruta. A expectativa neste ano é ampliar em quase 30% o volume da produção, alcançando 18 toneladas.
Para obter o máximo de desempenho da produção em quantidade e qualidade, a agricultora aposta em irrigação, poda adequada e tratamentos específicos para a cultura. “Hoje a cultura está dando cerca de 60% de lucro”, contabiliza. é comercializada para a Polpanorte. “Além do clima, o maior desafio hoje em cultivar acerola está na dificuldade de obter mão de obra para ampliar a produção”, conclui.


