Jota Oliveira
De Londrina
A falta de chuva castigou os produtores de soja, principalmente no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Só o Paraná planta 2 milhões e 812 mil hectares de soja, mas até semana passada apenas 84% da área paranaense tinham sido semeados, conforme os dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Estado. Agora já se pode semear e as máquinas foram colocadas no campo, quarta-feira, 15, mas sempre existe algum risco no plantio atrasado.
Dia 11, sábado, começou a chover na região de Londrina. Na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), nesta cidade, choveu 55 milímetros – 42,2 mm apenas terça-feira, 14. Em outros municípios do Norte do Paraná chegou a chover 100 mm. Situação normalizada, por enquanto, embora ainda faltasse, antes da chuva, semear 15% da área prevista de soja, além de culturas para as quais não há mais tempo.
SojaEm algumas lavouras de soja ocorreu ataque da lagarta Elasmopalpus lignoselus, que fura o caule da planta. ‘‘Infelizmente não existe controle eficiente para este problema’’, alerta o pesquisador Daniel Sosa Gomez, da Embrapa-Soja, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento. ‘‘Outra dificuldade, que pode ocorrer em tempos de seca, são os ácaros branco e rajado, que podem ser combatidos facilmente com acaricida’’.
Quem atrasou o plantio, por causa da estiagem, poderia esperar até dia 15 deste mês, ainda dentro do limite recomendado pela pesquisa. ‘‘O problema é que quem está plantando nesta época pode enfrentar uma queda no potencial produtivo, variando entre 10 e 40%’’, afirma o pesquisador da Embrapa-Soja, Milton Kaster. Ele explica: ‘‘À medida que atrasa o plantio, aumenta o risco de perda’’.
Entre esses riscos, o pesquisador chama a atenção para a possibilidade de concentração de ataque de percevejos no ciclo final da safra de plantio atrasado. Os percevejos, nessas condições, juntam-se nos grãos que ainda estão amadurecendo. Para evitar perdas, o produtor deverá faszer maior controle da praga.
Segundo Kaster, os produtores que estão plantando agora devem semear no mínimo 400 mil plantas por hectare. ‘‘Com o aumento da densidade da semeadura, é possível assegurar um bom nível de população e, consequentemente, evitar perdas’’, explica.
Outra observação importante para os produtores que quiserem garantir bons níveis de germinação é o investimento em tratamento de sementes com fungicidas. ‘‘A soja fica mais protegida com o fungicida porque, mesmo em condições de seca, a semente consegue embeber cerca de 40% do seu peso’’. explica o pesquisador Francisco Krzyzanowski, da Embrapa-Soja. ‘‘Porém, isso é insuficiente para o processo normal de germinação. E sem o tratamento das sementes, os fungos do solo podem deteriorar o grão’’.
Segundo os pesquisadores, o agricultor que perdeu a lavoura e quiser fazer o replantio, não precisa fazer nova adubação. O mais importante é seguir todas as recomendações técnicas da pesquisa, mas sem esquecer de racionalizafr custos.O lavrador precisa preparar-se, para evitar mais prejuízo, devido à semeadura tardia
Dorico da SilvaLogo após a chuva, recomeça o plantio em tod o Paraná. Foto: máquina semeando na região de LondrinaA semeadura recomeçou quarta-feira, dia seguinte à chuva. Antes faltava plantar 10% da soja

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