Já são 11 variedades transgênicas
A Embrapa tem hoje 11 cultivares de soja transgênica resistentes ao glifosato e elas estarão à disposição dos produtores para a safra 2005/06. O desenvolvimento dessas cultivares teve início na Embrapa Soja em 1997 e, no ano seguinte, quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) aprovou a liberação de testes, outras empresas também iniciaram programas de melhoramento de transgênicas.
O pesquisador da Embrapa Ricardo Abdelnoor conta que o evento no qual a Monsanto introduziu com sucesso o gene RR na soja aconteceu na década de 80 nos Estados Unidos. O RR é o gene de uma bactéria que se mostrou resistente ao glifosato herbicida de ação total que mata toda as plantas da lavoura. Em meados da década de 90, a multinacional norte-americana trouxe esta soja para o Brasil, já modificada, para iniciar seus testes de impacto ambiental sobre o solo brasileiro e sobre a saúde animal e humana. Após liberação da CTNBio, a Embrapa iniciou programas de melhoramento de cultivares RR. Hoje, a empresa dispõe de transgênicas adaptadas às principais regiões produtoras.
Segundo Abdelnoor, a Embrapa entrou nessa área ''porque viu que é uma tecnologia que está sendo adotada em larga escala em todos os países onde foi introduzida e tem um potencial de trazer benefícios ao produtor em determinadas situações''. Segundo ele, a Embrapa, como empresa pública, desenvolveu essas variedades para oferecê-las ao agricultor para que ele não ficasse dependente de empresas privadas de sementes.
O pesquisador faz, no entanto, uma ressalva às transgênicas: ''Não se pode pensar que é uma tecnologia que veio para solucionar todos os problemas da lavoura. Só deve ser usada de acordo com a necessidade, porque pode haver regiões em que o uso das cultivares RR não seja viável, devido ao maior custo. Em lavouras com pouca infestação por erva daninha será mais rentável utilizar cultivares convencionais'', recomenda Abdelnoor. (J.K.)





