Nem é preciso muito esforço de memória para lembrar os tempos de glória do algodão no Paraná. O título de maior produtor nacional hoje ostentado pelos matogrossenses já foi nosso. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), em 1992, tivemos uma safra recorde de 972.800 toneladas (t) da pluma. Os algodoeiros ocupavam uma área 704.500 hectares (ha). ''Respondíamos por 51,6% da safra do País'', recorda o técnico do Deral, Maurício Lunardon.
Hoje, a cultura resume-se a 12.700 ha e a um volume de produção também bastante inferior aos registros do início da década de 90. Na safra do ano passado foram colhidos 28 mil toneladas. ''A derrocada do algodão promoveu uma catástrofe econômica e social no Paraná'', afirma Almir Montecelli, presidente da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), em Ibiporã, e da Associação dos Cotonicultores do Paraná (Acopar).
O abandono do cultivo do algodão pelos produtores paranaenses, na avaliação do presidente da Coceal deve-se a uma sequência de fatores, como a entrada do bicudo do algodoeiro, variedades suscetíveis a doenças, além de fatores climáticos, econômicos, entre outros. ''A inflação era altíssima, assim, a importação tornou-se mais interessante para a indústria de fiação'',
Mas, o produtor de algodão, classifica Montecelli, ''é um apaixonado pela cultura''. E, apostando nessa qualidade e nas inovações tecnológicas oferecidas pela pesquisa, ele acredita no retorno das lavouras de algodão. ''Jamais retomaremos o posto de maiores produtores, mas ainda temos capacidade para 150 mil hectares de algodão'', diz ele.
''O algodão evoluiu bastante e hoje é possível plantar variedades mais precoces e com ciclos mais curtos para fugir da chuva na colheita'', argumenta. Montecelli acredita ainda que a liberação do algodão transgênico possa trazer mais benefícios para a cultura no Paraná, especialmente na agricultura familiar.
A Coceal desenvolve, desde 2005, um projeto de estímulo do plantio da cultura entre os produtores. ''Acompanhamos todos os estágios da lavoura, como o fornecimento de insumos, assistência técnica duas vezes por semana e também ficamos responsáveis pela colheita e comercialização da produção'', finaliza Montecelli.

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