Produtores de pequeno e médio porte, sem dúvida, são os que mais sofrem com a elevação dos insumos enquanto veem o preço do animal despencando em cada negócio fechado. Movimentação de preços tão drástica que coloca em dúvida a permanência dos suinocultores na atividade, mesmo daqueles que dedicaram uma vida na criação dos animais. O mercado pode se tornar implacável, em alguns casos.
Divaldo Pizaia é um exemplo de suinocultor preocupado. Trabalhando em Cambé há 35 anos na Granja Maracaju, ele possui uma área de nove hectares, com 120 matrizes e mantém um rebanho aproximado de 1,2 mil animais. Pizaia relembra que já passou por muitas crises ao longo das últimas décadas, mas não está tão disposto a enfrentar mais uma de grande magnitude.
"Cheguei a ter 200 matrizes e cerca de dois mil animais, mas ao longo dos anos a gente vai perdendo a força e fica bem complicado retornar aos números anteriores", explica.
Ele comenta que 2015 foi um ano "razoável" para ele, mas está bastante preocupado com o que está por vir. "Liguei em uma cooperativa e me disseram que o saca de milho era vendida a R$ 37,50 e ainda estava em falta. É um negócio que está preocupando muito a gente. Hoje, graças a Deus, tenho contato de alguns vendedores de milho e estou tranquilo até então. Mas é difícil prever o que vai acontecer nos próximos meses."
Pizaia relata que no ano passado vendia o quilo do suíno de R$ 3,50 a R$ 3,60 e o custo de produção girava em torno de R$ 3. "Estava pagando aproximadamente R$ 30 pela saca do milho e R$ 1,2 mil na tonelada do farelo de soja. Agora, ainda nem fiz as contas para saber quanto subiu meu custo de produção. A escassez desta commodity no mercado nos preocupa. Já escutamos por aí que a saca pode chegar a R$ 43."
Na opinião do produtor, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) precisa garantir o milho para os produtores de alguma forma. "Nossa preocupação é que com a alta do dólar, a maioria da safra seja para exportação, como já tem acontecido. Se continuar assim, o negócio vai ficar feio para suinocultura em 2016. Eu, por exemplo, vendo 200 animais por mês. Se perco R$ 50 por animal, meu prejuízo no final do mês é de R$ 10 mil."
Em uma parte da propriedade, o suinocultor relata que ainda produz um montante de milho, mas que é suficiente para alimentar os animais por apenas dois meses. "Os animais consomem por mês em torno de 750 sacas do produto. Com essa alta, os gastos vão subir em torno de R$ 5 mil mensais só com o milho. Em contrapartida, este ano já vendi o quilo do suíno por R$ 3. A situação está esquisita. Gosto do que faço, mas tudo tem limite. Já aguentei muita coisa nestes 35 anos de trabalho", desabafa. (V.L.)

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