Em janeiro, a reportagem da FOLHA esteve na propriedade da família Bramé, localizada em Califórnia, uma referência na produção de café da região. Na ocasião, foi possível conferir in loco os grãos verdes, graúdos, enchendo os pés na área de 12,1 hectares e uma expectativa excelente sobre a produção, mesmo se tratando de ano de baixa bienalidade.

O que ninguém imaginava é que a seca iria castigar as lavouras de forma tão pesada pouco antes do início da colheita. Matheus Bramé - que trabalha com o pai Orlando Bramé – relata agora, numa nova conversa, que a colheita iniciou no dia 26 de abril, principalmente em áreas que a seca estava castigando demais. "O café adiantou bastante, estava murchando e fizemos essa colheita para tirar os grãos de pé e assim evitar que ele puxe mais água. Eu imagino que em lavouras mais tardias, que serão colhidas em julho, teremos uma quebra (de safra) sim."

Matheus explica que a falta de chuva "judiou" principalmente os pés mais novos, de um ano, e a estratégia foi fazer irrigação nessas áreas duas vezes por dia. "Isso fez com que esses pés sentissem menos a seca. Outro ponto é que, como fazemos o adubo verde, isso ajudou bastante a segurar a umidade e nessas áreas o café não sentiu tanto. Em relação a pragas e doenças, correu tudo bem."

Mesmo com as adversidades climáticas, a família Bramé está animada e espera uma produtividade que fique entre 30 e 35 sacas por hectare, valores bem superiores a média estadual, que deve fechar em 27 sacas por hectare. "Neste momento estamos fazendo uma colheita manual, em locais onde o trator não entra com as máquinas. Mas a partir de julho vamos iniciar a colheita mecanizada, que vai até agosto". "Em relação aos preços (de comercialização) estamos esperando que seja pelo menos os mesmos do ano passado, na casa dos R$ 430 a saca. O preço do café está muito baixo."

O produtor Urbano Fávaro tem uma área em Londrina de 17 hectares, sendo 4,8 hectares voltados para o café. Ele plantou a variedade Tupi e também confirma que a seca para sua área chegou justamente quando começou a granar. "Comecei a colher há uma semana e já deu para notar que a renda vai ser mais baixa. Esse ano na área total devo colher cerca de 150 sacas (café em coco)."

Para o cafeicultor, a safra vinha caminhando bem, a carga veio forte, mas a falta de chuva atrapalhou o momento da granação. "Hoje você vê o pé do café e percebe que ele tá bem murcho. A gente fica triste." (V.L.)

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