O uso da irrigação em pequenas propriedades sempre gerou uma preocupação por parte dos agricultores no que diz respeito aos custos com a energia elétrica. Para resolver este problema, a Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em parceria com a Copel, implantou no Paraná o Programa de Irrigação Noturna (PIN). Criado em 2004, o programa oferece um desconto de mais de 60% na conta de energia para aqueles que irrigam entre 21h30 e 8 horas.
Jorge Schimunda, coordenador do PIN na Copel, explica que o projeto começou com o objetivo de reduzir a demanda por energia nas horas de maior pico. O programa iniciou com a adesão de 100 produtores. Hoje, já são mais de 2,7 mil adeptos. E a expectativa, segundo ele, é aumentar ainda mais até o término do programa, previsto para 2013. Schimunda destaca que além do desconto, a Copel também pode fornecer até 200 metros de rede ou até 600 metros de retorno de rede para aqueles que ainda não têm energia na propriedade. Shimunda sublinha que para entrar no plano, é preciso que a configuração da rede seja monofásica. Além disso, acrescenta o coordenador do PIN, o produtor deve arcar com a instalação do medidor, que hoje custa R$ 278,15.
Tarciso Filho, assessor técnico da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que o programa perdeu um pouco de força nos últimos anos. O motivo, segundo ele, é que muitos produtores têm receio de mudar de técnicas. Segundo ele, somente o setor de hortifruti e pecuária leiteira ganham destaque no uso da irrigação noturna. ''Nem todos os produtores estão interessados em trabalhar à noite'', observa. No Paraná, o uso desse procedimento passa a ser mais vantajoso na região Norte, que possui temperaturas mais quentes durante o dia.
Alencar Hermes, produtor de gado leiteiro na região de Arapongas, já está implantando o sistema de irrigação noturna em seis hectares de pasto. Segundo ele, a adoção da técnica tem por objetivo potencializar a produção de capim para colocar um número maior de animais por área. Para não aumentar ainda mais os custos de produção, ele resolveu adotar a irrigação noturna. Porém, Hermes reclama que uma das dificuldades para aderir ao sistema é a dificuldade de obtenção de crédito para implantar a estrutura. ''Há dois anos que luto para implementar esse processo e finalmente vou concretizar o projeto'', comemora. (R.M.)

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