Irrigação noturna barateia custos
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2007
Marta Ortega<br> Reportagem Local 
No Paraná, onde a diversificação é comum e ajuda a agregar valor às propriedades, a irrigação das lavouras tem papel fundamental. Apesar da pouca necessidade, devido à regularidade de chuvas no Estado, o uso racional da água nas plantações garante gastos menores aos agricultores.
Para aumentar esta economia, os produtores estão sendo incentivados a irrigar as áreas durante a noite, fora do horário de pico. Como é o caso de Valdemir Evangelista da Silva, do Distrito de Guaravera, zona sul de Londrina. Ele aderiu ao Programa de Irrigação Noturna (PIN), desenvolvido em parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná e a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que garante a racionalização da água e também de energia, já que o consumo é transferido para um horário fora do de pico (entre 21h30 e 6 horas).
Numa área de 1,5 hectares dedicados ao cultivo de hortaliças em estufas, ele está promovendo algumas adaptações na rede de energia, para que o atual sistema de gotejamento realizando durante o dia nos canteiros de abobrinha, tomate e pepino passem para o período norturno. Os gastos com energia, que são de R$ 250 por mês, serão reduzidos em 60%. ''O único trabalho vai ser ligar o sistema à noite e desligar pela manhã. É um projeto muito bom'', afirma Silva.
O produtor investiu cerca de R$ 1.400, com o medidor de energia, poste com caixa de relógio e fiação. O produtor já está inscrito para o mesmo projeto em outra área arrendada, de 5,5 alqueires. ''Já fiz o pedido na Copel e estamos aguardando a instalação dos equipamentos''.
Em todo o Estado, cerca de 300 produtores já aderiram ao PIN, implantado para as culturas de olericultura, fruticultura, café e a produção de plantas potenciais, como palmáceas, cultura de coco, etc. A demanda é grande também para as áreas de pastagens.
De acordo com o engenheiro agrônomo Benno Henrique Doetzer, coordenador estadual da área de meio ambiente da Emater, em Curitiba, os produtores têm desconto de 60% para atendimento em sistemas de baixa tensão (cerca de 90% dos pequenos produtores) e de 70% em sistemas de alta tensão (para indústrias e produtores de grande porte).
Os produtores terão um crédito de R$ 5 mi através do Fundo de Desenvolvimento do Estado (FDE) com juros subsidiados para a compra de equipamentos (como bombas, canos, medidores). ''Se o produtor se enquadrar como agricultor familiar, a taxa é de apenas 1% ao ano'', afirma Doetzer. Outra vantagem é o processo simplificado de adequação ambiental que os produtores serão treinados pela Emater. Os técnicos já estão sendo preparados para esse atendimento.
A partir de dezembro, um curso específico de irrigação em parceria com o Senar será direcionado para a olericultura, fruticultura e pastagem. ''Esperamos atingir até 600 produtores em todo o estado'', afirma Boetzer. A meta até 2010 é atender mil produtores por ano.


