Irrigação não é a vilã
A utilização de água na agricultura por meio de sistemas de irrigação, principalmente quando se trata das estiagens frequentes que o agricultor tem enfrentado nas últimas safras, tornou-se peça-chave para o sucesso produtivo, principalmente naquelas culturas em que é necessário volumes diários do recurso natural.
O que aparentemente parece paradoxal, a irrigação "versus" a tendência de economizar água no meio rural, na verdade são complementares, já que as tecnologias utilizadas atualmente nesses sistemas são diretamente ligadas à economia de água. Não por acaso, produtores têm buscado cada vez mais os sistemas de irrigação, sempre criando estratégias para consumir menos energia e até contratando consultorias técnicas capazes de calcular o volume utilizado.
De acordo com o último relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, da Agência Nacional de Águas (Ana), a irrigação é a atividade responsável por 72% do consumo de água no Brasil. Recentemente, a agência, em parceria com a Embrapa, concluiu o Levantamento da Agricultura Irrigada por Pivôs Centrais. O primeiro estudo em escala nacional sobre o tema identificou 17,8 mil pivôs centrais no País, ocupando uma área de 1,18 milhão de hectares. Um aumento de área de 32% frente a 2006.
Segundo o trabalho, quatro Estados concentram quase 80% da área ocupada por pivôs centrais: Minas Gerais (31%), Goiás (18%), Bahia (16%) e São Paulo (14%). O Paraná não aparece entre os principais usuários da tecnologia, mas possui um potencial de 530 mil hectares passíveis de irrigação.
O proprietário da empresa Sitti, Jarbas Sylos Reis Neto, trabalha com soluções integradas em irrigação há pouco mais de três anos e vê o negócio evoluir. O carro-chefe da empresa são os pivôs centrais, mas ele também atua com equipamentos para irrigação por gotejamento e aspersão.
Ele relata que antigamente existia um mito sobre o consumo excessivo de água pela irrigação, principalmente no caso dos pivôs. Ele comenta, entretanto, que a eficiência dos equipamentos saltou de 82% de aplicação por litro de água para 93% em menos de uma década. "As tecnologias mudaram muito. Hoje, temos controle computadorizado do processo, com dados técnicos antes da aplicação. Outro ponto que auxilia na economia de água é que muitos produtores contratam consultorias que utilizam softwares específicos, cruzam informações da estação meteorológica e falam exatamente quando e como a irrigação deve acontecer. É possível acionar um pivô, inclusive, pelo celular", explica Jarbas, que também é produtor rural e utiliza o sistema em sua propriedade, em Sertaneja.
Na opinião dele, em outros tempos o produtor buscava esse tipo de serviço apenas com o intuito de economizar energia elétrica e ganhar eficiência, mas com a crise hídrica ganhando espaço no meio rural, a irrigação tornou-se algo essencial. "Além da assessoria técnica e toda a tecnologia, é possível também aperfeiçoar o sistema de bombeamento e sempre ficar atento aos aspersores que distribuem a água. Além do consumo da água, uma irrigação desregulada também dói no bolso, já que a conta de energia de um pivô de tamanho médio para 80 hectares gira em torno de R$ 3 mil mensais, sendo possível reduzi-la até pela metade", complementou. (V.L.)





