Irrigação em soja pode ser vantajosa em determinadas regiões
A irrigação em culturas de larga escala de produção como soja, milho e algodão não é muito comum. Um dos impedimentos é o alto custo de implantação de uma estrutura em áreas maiores. Mesmo assim, em algumas regiões do País, como no Cerrado, que abrange áreas de alguns estados do Centro-Oeste, há municípios que necessitam da irrigação por causa dos longos períodos de estiagem. No Paraná, apesar do clima favorável para a agricultura, existem regiões que também sofrem com esse tipo de problema, como no Oeste.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja em Londrina José Renato Farias Bouças, o uso da irrigação nessas localidades pode ser uma saída para minimizar os índices de perdas. ''Mas vale reforçar que o uso da técnica na cultura de grãos ainda é muito pequeno, mesmo na região Centro-Oeste''. O motivo, alega Bouças, é que ainda não se tem dados exatos sobre a viabilidade econômica do uso da irrigação, por exemplo, nas lavouras de soja e milho. Ele destaca que a técnica vem beneficiando, em especial, a produção de sementes, que demanda uma maior quantidade de água.
Em termos agronômicos, o pesquisador destaca que a técnica é muito bem-vinda, pois garante estabilidade na produção. ''O uso da irrigação em grãos é caro, mas existem muitos produtores que acham que vale a pena adotá-la''. Bouças sublinha que no norte do Rio Grande do Sul, já há experimentos com irrigação nos períodos de veranico, mas ainda não há dados conclusivos.
Bouças sublinha que materiais mais precoces necessitam de mais água, o que viabiliza o uso da irrigação. ''Nesse caso, irrigar pode passar a ser economicamente viável''. O pesquisador acrescenta que o período que a planta mais necessita de água é no momento do enchimento de grãos. Segundo ele, irrigar nessa hora garante mais chances de se obter um material altamente produtivo.
Entretanto, o pesquisador da Embrapa sublinha que muitos produtores desistem da técnica porque a rentabilidade da soja por área é muito pequena. Ele reforça que a irrigação é mais viável em culturas com maior valor agregado, como a olericultura. (R.M.)






