Investir no plantio é garantir a produtividade
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Plantabilidade. Essa palavra que não consta no dicionário tem sido frequentemente mencionada por empresas e entidades ligadas ao agronegócio. O conceito não é novo, mas tem ganhado destaque nos últimos tempos, segundo Augusto Guilherme de Araújo, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ele explica que plantabilidade é um termo relacionado à qualidade de operação na hora do plantio.
Diversos fatores compõem esse conceito, como qualidade e distribuição de sementes, regulagem de maquinários, condições favoráveis de clima, solo, entre outras medidas adotadas antes e durante o plantio. Além de visar o bom desempenho da lavoura, a plantabilidade foca na alta produtividade da safra. De olho nisso, Araújo conta que muitas indústrias de equipamentos agrícolas têm investido nos últimos anos em tecnologias que permitem uma semeadura na quantidade exata. A pesquisa também tem atuado forte para otimizar a lavoura.
Porém, avalia ele, de nada adianta ter uma plantadeira de alta tecnologia, por exemplo, se não houver condições favoráveis para a semeadura.
Araújo lembra que o termo plantabilidade tem sido bastante adotado para a produção de milho, já que, diferente da soja, o cereal não compensa as falhas de semeadura que possam ocorrer durante o plantio. "Em uma área mais espaçada, por exemplo, a oleaginosa carrega mais as vagens, o que ajuda a compensar uma determinada falha, já na lavoura de milho isso não acontece", observa o pesquisador do Iapar. Apesar desse olhar para a produção de milho, o conceito de plantabilidade tem sido adotado em diversas culturas.
Embora a responsabilidade de se obter um bom plantio dependa muito dos bicos dosadores de uma plantadeira, a qualidade e o tamanho homogêneo das sementes também são fatores que influem muito na produtividade da lavoura. Araújo destaca que as sementes não devem ter tamanho diferentes para que, durante a semeadura, não sejam colocados mais ou menos grãos dentro da cova.
Alto poder de germinação e elevado rigor são predicados essenciais para uma semente. Mas o produtor deve propiciar condições favoráveis para que o grão germine. Além de uma umidade mais elevada, o contato da semente com o solo deve ser rente. Se durante o plantio forem formados bolsões de ar, Araújo afirma que a germinação da semente pode ser comprometida. Quando o solo é muito compactado após o plantio, a produção também pode ser comprometida. "As sementes devem emergir com rapidez e de forma uniforme."
O pesquisador ainda recomenda a regulagem da máquina antes de iniciar a semeadura, principalmente em relação à profundidade dos furos. Se uma cova é mais profunda do que a outra, a semente terá que percorrer um espaço maior até a superfície. No sistema de plantio direto, o pesquisador afirma que é muito importante cobrir as linhas de plantio com palha para reter a umidade. Contudo, a maioria das plantadeiras não possui tecnologias que espalham essa palha nas linhas de semeadura.
Bons resultados
Maurício Okimura, agricultor na região de Paiquerê, é um dos produtores que se preocupa e muito com a qualidade do plantio. Antes de iniciar a semeadura, o agricultor faz todas as regulagens e calibragens necessárias no maquinário. Segundo ele, uma configuração adequada do equipamento no momento do plantio faz toda a diferença na hora da colheita.
Para não errar na escolha da semente, Okimura atribui a responsabilidade ao técnico de campo de sua cooperativa. "Somente dou o aval final", brinca o agricultor. A escolha dos adubos e fertilizantes também é feita com muito critério na propriedade que, só neste inverno, devem ter semeados 360 hectares com trigo.


