Na avaliação do cafeicultor Sérgio Bueno, do distrito de Warta, em Londrina, a chuva contínua durante uma semana no mês de junho comprometeu a safra. ''A produção não foi extraordinária porque a seca já tinha prejudicado a safra, mesmo com irrigação. Mas o resultado ainda conseguiu superar as expectativas'', relata. Com colheita manual, o produtor que já chegou a ter 60 mil pés de café em 2006, hoje cultiva apenas mil. A intenção de Bueno é voltar a ampliar a produção para até 10 mil pés, mas, para isso, pensa em mecanizar a colheita. O aumento do cafezal vai permitir a otimização da rentabilidade.
Com o investimento em irrigação, Bueno espera uma produtividade de 30 sacas por hectare. O produtor ainda não vendeu a safra pois aguarda uma reação dos preços. ''O problema é o alto custo com o tratamento químico e a manutenção da lavoura, mas se não tratar, não tem produção. É por isso que muitos produtores estão optando pelos grãos, cujo trato é mais simples e o rendimento é superior'', afirma.
Já o cafeicultor Yassumassa Asami, de Marialva, conta que o ano foi difícil para a cafeicultura, tendo em vista que a seca seguida pelo excesso de chuvas não permitiu o desenvolvimento ideal dos grãos. Com 19 hectares plantados, Asami espera uma produção com qualidade abaixo da média esperada, com quebra de 15%. Segundo ele, o terraço suspenso e o secador evitaram um prejuízo ainda maior.
Para realizar a colheita manual, Asami contrata 25 trabalhadores. ''Não tenho dificuldade para encontrar mão de obra porque pago um valor competitivo pelo serviço e mantenho o mesmo grupo de trabalhadores há muitos anos'', justifica. A produtividade estimada é de, em média, 60 sacas por hectare. O cafeicultor acredita que a redução da oferta aumente o preço do café, principalmente para aqueles que conseguiram manter qualidade.
O produtor Marcelo Valdevino da Luz, de Carlópolis, conta que 70% da colheita é mecanizada e só não totaliza o processo porque a lavoura antiga não permite a entrada da máquina em toda a lavoura. Com alto investimento no cafezal, ele mantém uma produtividade média de 41 sacas por hectare. ''A concorrência é grande e, por isso, precisamos ser grandes em produção por hectare. Assim, consigo ajustar os custos para manter a cafeicultura'', alega. Entre os investimentos em tecnologia, estão a renovação da lavoura, uso de maquinário, irrigação, manejo de solo e tratos pós-colheita.(M.F.)

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