Investimento na produção de carne
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
ComplexoO novo abatedouro da Coopervale terá um faturamento de R$ 100 milhões ao ano
PalofotoCooperativas de produtores do Oeste paranaense estão empreendendo cada vez mais a verticalização de atividades, transformando proteína vegetal em ração e na sequência em proteína animal, com a produção de carne. O frango, já eleito símbolo do Plano Real, é um dos principais alvos de grandes investimentos das cooperativas, com a inauguração de mais um complexo frigorífico na região, no final da semana passada.
A Cooperativa Mista Agrícola Vale do Piquiri (Coopervale), de Palotina, com 5,5 mil associados, inaugurou um Complexo Avícola, com frigorífico para abate de até 150 mil frangos ao dia. Segundo o presidente, Alfredo Lang, o investimento é de R$ 65 milhões - incluindo a parte dos avicultores -e o faturamento será de R$ 100 milhões ao ano. Diretamente, serão gerados mil empregos em Palotina e mil em municípios vizinhos.
A direção da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, que congrega as entidades da região, avalia que os investimentos promovem grande dinamização da economia regional. Segundo o presidente, Fábio Rosso, os resultados estão sendo colhidos nos campos e nas cidades. Eles são representados pela geração de renda para os produtores, empregos e receita para o Poder Público.
Edson MazzettoA Coopavel atingiu a meta no final de setembro de abater 144 mil frangos dia em seu frigorífico
Nova estruturaO novo abatedouro tem área construída de 16,7 mil metros quadrados e custou R$ 25 milhões. Parte dos equipamentos veio da Europa e América do Norte. Paredes internas são de material que garante isolamento térmico, e a temperatura será controlada. Houve preocupação com o meio ambiente, com um eficiente sistema de tratamento de resíduos - penas, sangue e vísceras dos frangos que irão para a produção de ração.
A Coopervale rateará entre cinco municípios o crédito de cerca de R$ 7 milhões de ICMs que serão gerados anualmente pelo Complexo. Isto será possível através de um acordo feito pela diretoria com os prefeitos de Palotina, Nova Santa Rosa, Maripá, Assis Chateaubriand e Terra Roxa, que compõem sua área de ação e onde serão produzidos os frangos, inicialmente por 250 e depois por quinhentos avicultores integrados.
Já a Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), com quatro mil associados, atingiu no final de setembro, com muita antecedência em relação ao previsto, a meta de abater 144 mil frangos ao dia em seu frigorífico. Na unidade há mil pessoas empregadas, e igual número de forma indireta. Segundo o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, o ano deve ser fechado com faturamento de R$ 70 milhões no setor, e gerados cerca de R$ 6 milhões de ICMS.
No início do mês, a cooperativa de Cascavel lançou as obras de dois novos frigoríficos, para abate de 1,5 mil cabeças de suínos e duzentas de bovinos. O investimento é de R$ 22 milhões - somando-se o frigorífico de frangos, são R$ 32 milhões, com recursos inteiramente próprios. Mais mil pessoas serão empregadas diretamente e duas mil de forma indireta, e o faturamento e ICMs devem ser em montantes iguais ao do setor aves.
VerticalizaçãoO diretor da Cotriguaçu, Sebaldo Waclawovsky, relata que as cooperativas tornam prática efetiva a proposta de verticalização de atividades. Com a transformação de grãos em carne (aves, suínos e bovinos), via ração, há agregação de maiores valores à produção primária, acrescenta Sebaldo Waclawovsky. As cooperativas destinam parte dos industrializados (cortes nobres) à exportações.
Os aviários são climatizados, resultando no dobro de aves produzidas em relação às granjas comuns. A fábrica de rações absorverá anualmente 117 mil toneladas de milho. O matrizeiro tem inicialmente vinte galpões, e em etapa posterior serão 54, que produzirão 155 mil ovos ao dia. No incubatório, é empregada tecnologia de última geração, com capacidade para seis milhões de pintainhos ao mês.
Em Cafelândia, a Cooperativa Agrícola Consolata (Copacol) abate 130 mil cabeças de aves ao dia em seu frigorífico, que emprega mil pessoas (mais 2,5 mil indiretamente). O presidente, Ildo Pascoalli, relata que do faturamento da cooperativa em 96, de R$ 271 milhões, R$ 75 milhões foram provenientes do frigorífico, e destes R$ 12 milhões em exportações. A Copacol tem 520 avicultores integrados, sistema também empregado pelas outras cooperativas.
Na região Oeste do Paraná, atuam na avicultura ainda os grupos Frigobrás/Sadia (Toledo) e Chapecó (Cascavel), ambos com origem em Santa Catarina. O primeiro já superou o abate de 360 mil cabeças de frango, a maior parte exportada. O Chapecó abatia mais de cem mil cabeças, mas enfrenta crise financeira, e reduziu o abate para menos da metade. Há a perspectiva de que o frigorífico de Cascavel seja vendido e a produção retomada por inteiro.


