Moradores, empresários e agricultores de Maringá, no Norte do Estado, entraram em contato com o universo da bolsa de valores ontem, durante edição do programa BM&FBovespa Vai a Campo. Os participantes receberam orientações sobre o funcionamento dos mercados da Bolsa, educação financeira, oportunidades de investimento no mercado de ações, gerenciamento de riscos no agronegócio e ferramentas para gerenciar o risco de preços no agronegócio.
De acordo com o diretor de Commodities da Bovespa, Ivan Wedekin, a iniciativa faz parte do Programa BM&FBovespa Vai até Você, que tem como objetivo promover a popularização da Bolsa. ''A agricultura é uma atividade cercada de riscos e a forte oscilação de preços é uma característica marcante do segmento. Queremos mostrar que existem ferramentas para reduzir esse risco, como o seguro de preços'', revela.
Segundo ele, o produtor já assumiu a função de investidor, mas a divulgação do trabalho com o mercado de ações ainda é um caminho longo a ser percorrido. Wedekin afirma que a sustentabilidade e competitividade dos negócios agropecuários está baseada em um tripé composto por gestão da produção, gestão da comercialização e gestão econômico-financeira.
Enquanto a gestão de produção está focada no uso das tecnologias mais recentes para a cultura, tanto em termos de genética quanto de maquinários e técnicas, a econômico-financeira está voltada para o controle da contabilidade, em que o agricultor deve estar atento para balancear receita e despesas, para garantir a rentabilidade do negócio e do capital investido. ''Em termos de comercialização, o setor ainda precisa avançar em estratégias de acompanhamento do mercado. O produtor deve fazer escalonamento da produção para conseguir manter um preço médio e evitar o risco de variação dos preços no estoque'', orienta Wedekin.
Segundo o operador de mesa da Futura Corretora, Walter Coutinho Junior, o número de produtores que se tornaram investidores tem crescido nos últimos anos. ''A realidade mudou muito de 1994 a 2011, mas o agricultor ainda usa muito pouco do potencial de crescimento desse mercado'', afirma. Coutinho Junior argumenta que falta uma cultura de comercialização através do mercado futuro, tanto para fixação do preço quanto para investimentos. Dentre os clientes que lidam com agronegócio na corretora, a predominância é de produtores de soja, milho, café e bovinos, além das cooperativas do setor.
O operador explica que os interessados em iniciar atividades na Bolsa devem procurar uma corretora credenciada pela Bovespa para buscar mais informações sobre os serviços oferecidos e mecanismos de funcionamento, tendo em vista que o tipo de investimento varia conforme o objetivo e o tipo de atividade do agricultor. Segundo ele, a atividade na bolsa pode ser realizada até mesmo por pequenos produtores, pois o contrato mínimo na BM&FBovespa é de 450 sacas, tanto para produção de soja quanto para de milho.
Paraná
Em quatro anos de ações, o BM&FBovespa Vai a Campo já visitou 24 cidades e contou com 12 mil participantes. Até o momento, o programa já passou por cinco cidades paranaenses: Guarapuava, Campo Mourão, Cascavel, Londrina e Maringá. A relevância da produção agropecuária, o nível de urbanização do agronegócio e a estrutura produtiva que abarca pequenos, médios e grandes produtores são os motivos que levam o Paraná a receber a iniciativa. ''O Paraná é grande produtor, processador e exportador de produtos agrícolas'', ressalta Wedekin. Além do ciclo de palestras, Maringá recebeu o Bolsamóvel, unidade itinerante de atendimento, que circulou pelas ruas da cidade entre os dias 11 e 13, distribuindo folhetos informativos sobre os mercados da Bolsa.

Imagem ilustrativa da imagem Investimento na bolsa ainda é pequeno entre agricultores