José Luis Moletta, zootecnista e pesquisador do Iapar, trabalha na formação da raça desde o início
José Luis Moletta, zootecnista e pesquisador do Iapar, trabalha na formação da raça desde o início | Foto: Edno Ferreira da Silva/Iapar



Desde que foi reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura (Mapa), a raça Purunã expandiu consideravelmente, ultrapassando os limites territoriais do Paraná ao longo dos últimos 12 meses. A Associação dos Criadores de Purunã conta hoje com 47 pecuaristas de todo o País, com aproximadamente 9 mil cabeças registradas (somadas o que utilizada em corte). No Estado, a maior parte dos animais estão localizados no Oeste. Em 2012, quando a Associação foi criada, eram apenas 500 cabeças pertencentes ao Iapar.

Presidente da Associação, pecuarista e veterinário, Piotre Laginski, explica que depois do reconhecimento do Mapa, a evolução tem sido enorme. "Os criadores estão investindo mais na raça, segurando animais, comprando outros e assim ampliando o plantel. Também percebemos outras pessoas que iniciaram como criadores, solicitando animais e genética, buscando informações, com uma expansão positiva por todo o Brasil."

Agora oficializada, o mercado se torna atrativo para as empresas que trabalham com genética e transferência de embriões. "Elas vieram em negociação para colocar os touros nas centrais. Algumas já contrataram touros e estão em fase final de liberação pelo Mapa para comercialização de sêmen, como o trabalho em parceria com a Cescage Genética."

Imagem ilustrativa da imagem Investimento e expansão no último ano



Piotre ressalta ainda que agora o Paraná se mostra mais forte para colocar a raça por todo o País. "Estamos conversando em praticamente todos os Estados, levando informações técnicas, de rendimento de abate, ganho de peso, fertilidade, rusticidade, e principalmente mostrando a docilidade do animal, que o pessoal fica impressionado."

Diferentemente de outras raças, o presidente da Associação acredita que o Purunã consegue atender com eficiência três pilares muito importantes na pecuária: é um animal produtivo, rústico e fértil. "A raça foi projetada para atender todas as situações que o produtor tem na propriedade. São situações que raças puras não conseguem chegar (da mesma forma). Elas ganham numa característica e perdem em outra, sempre têm uma situação que há falta. É um animal que se adapta a qualquer tipo de clima, em terreno plano, acidentado, em qualquer situação dão conta de cobrir vacas, trazendo produtos de alta qualidade."

PROPRIEDADE
A propriedade de 200 alqueires de Piotre, em Cascavel, conta com 550 cabeças da raça. Ele relembra que ao longo da sua vida de pecuarista já fez 14 cruzamentos na fazendo antes de apostar no Purunã, em 2009. "Trabalho com confinamento, desmamando bezerros pesados, entre 280 e 290 quilos. Nossa ideia é atingir 330 quilos já aos 8 meses."

Em relação ao rendimento da carcaça da raça, no frigorífico estão atingindo média de 58,5% a 59,5% de rendimento aos 15 e 16 meses de idade. "No caso das novilhas, o rendimento é de 55,5% a 56% aos 14 meses, com 14,5 arrobas. Já o índice de prenhez na fazenda está em 93,4%."

Por fim, Piotre explica que os animais chegam ao máximo de eficiência com uma qualidade de carne extraordinária. Segundo ele, a demanda do mercado está elevada. "Falta boi para abater e não fica carne parada na gôndola, com os supermercados elogiando bastante. Estamos acertando inclusive com o Madeiro, só alinhando uma questão de logística. Oferecemos uma carne super premium, de qualidade excepcional." (V.L.)

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