Investimento alto, prejuízo e quebra inevitáveis
Investir sabendo que não terá retorno. É mais ou menos assim que produtor de grãos, Ildenicio Monteiro da Rocha, de Tamarana, está se sentindo em relação ao milho safrinha deste ano. Numa área de pouco mais de 14 alqueires, ele já começa a contabilizar os prejuízos que podem vir nas próximas semanas. Para ele, "já passou da época de chover".
Rocha explica que plantou o milho no início de março e estava bem empolgado com a cultura. No ano passado, ele teve uma colheita interessante, em média de 250 sacas por alqueire, mas não foi recompensado financeiramente porque os valores pagos ao produtor estavam baixos, na casa dos R$ 19 a saca de 60 quilos.
Na safra 2017/18, ele investiu na cultura pensando nos preços melhores projetados. "Investi no solo, com ureia, adubo, esterco de galinha e passei produtos para que a lavoura aguentasse mais. Inclusive, fiz a aplicação a noite porque o calor é tão grande que se aplicasse de dia o produto evaporava. De qualquer forma, avalio que já passou da época de chover."
Nas estimativas do produtor, se nos próximos dez dias as precipitações não vierem com um volume considerável, ele não ficará espantado se as perdas na sua área atingirem a casa de 70% a 80%. "Se não chover, a quebra será grande. Eu olho para as previsões, que projetam 15 dias de sol daqui pra frente. O milho está na fase de pendoamento, sem umidade, não tem da onde puxar e não solta o pendão. Ele quer água para embonecar."
Mesmo com os preços estimados na casa dos R$ 30 para o cereal, ele não acredita que os bons valores vão compensar a perda grande que está por vir. "Apostei bastante, porque achei que a safra seria boa. Só em semente, estou falando de R$ 550 o saco de dez quilos, que utilizei de 3 a 4 por alqueire, sem contar a adubação. O duro é que se chover depois dessa fase acaba atrapalhando até o momento da colheita e porque já passa da hora. Se acontecer, colher 20% do que sobrar até desanima."
No grupo de WhatsApp coordenado pelo extensionista da Emater Londrina, Paulo Mrtvi, a cada notícia de seca o lamento do pessoal é enorme. Ao que parece, muitos já estão se conformando com a quebra que está por vir. "A deficiência hídrica do solo é muito alta, ninguém contava com essa seca no outono, que não está normal", explica Mrtvi.
Segundo ele, a chuva neste momento tem que ser volumosa, primeiro para suprir o solo e, depois, suprir a planta. "Temos de aguardar para saber o tamanho que será a quebra, mas o fato é que (o cenário) já está comprometido. Agora é esperar o quanto." (V.L.)





