Investimento alto e produção dobrada
O produtor de ovos Dirceu Pontalti Cortez, sócio proprietário da Granja Feliz, de Arapongas, confirma o bom momento da avicultura de postura. Ele acredita que há um aumento contínuo do consumo de ovos pelos brasileiros, justificado pelo incremento de oferta da mercadoria no País e também graças à boa publicidade que se faz do ovo atualmente. "Antes, o ovo era visto como o vilão do colesterol alto, mas agora ele é muito bem visto nas dietas. Quando se fala bem do produto, o consumo rapidamente melhora", salienta Cortez, que está à frente do negócio iniciado pelo pai há mais de 25 anos.
Com um plantel atual de 270 mil aves e produção que gira em média de 205 mil ovos por dia, o produtor apostou alto no negócio na última década. Foram cerca de R$ 5 milhões investidos desde 2004, o que fez com que ele dobrasse a produção. Do ano passado para cá, por exemplo, o salto na produção foi de 20,5%. "Eu acredito que o consumo per capita está aumentando. Percebi isso este ano quando fui comprar embalagens de dúzia e bandeja para a minha produção e percebi que estava em falta no mercado", comenta.
Se 2012 não foi um ano interessante para a avicultura de forma geral, o ano passado fechou positivo, principalmente porque os custos das commodities para a ração soja e milho - começaram a recuar. "Sem dúvida, está ocorrendo uma recuperação. Eu acredito que este ano pode fechar ainda melhor do que em 2013, apesar dos preços terem recuado bem em setembro. Entre fevereiro e julho, estava muito bom", relata o produtor.
Só para ter uma ideia do impacto negativo do mês passado, Cortez salienta que operou em 30% no vermelho. "Tive que adiantar o descarte de galinhas. Realizo por volta de seis por ano, e nesse último descartei por volta de 15% do plantel mais velho. Acredito que a média brasileira ficou em 10%", avalia.
Apesar do descarte ter sido um pouco maior para evitar custos desnecessários, o produtor acredita que 2014 fechará melhor do que o ano passado. O segredo, segundo ele, for ter comprado o milho mais em conta, na casa dos R$ 21 a saca. "Apesar da queda de preço ter sido muito forte recentemente, os custos de produção foram menores, ficou em bons patamares. Outro ponto é que consigo vender minha mercadoria mais no varejo do que no atacado, como acontece em muitas granjas. Dessa forma, consigo trabalhar com os preços, em média, 15% acima do que está sendo comercializado no mercado", completa. (V.L.)





