Cláudia Barberato
De Londrina
O produtor de suínos pode organizar-se, para evitar grandes prejuízos com doenças respiratórias nos plantéis, neste período de temperaturas mais baixas. Para isso terá que manter o ambiente dos animais limpo e, sistematicamente, fazer o controle sanitário do seu rebanho, com as vacinações e outras orientações de um veterinário.
A Embrapa Suínos e Aves promoveu em sua sede, em Concórdia (SC), entre os dias 12 e 16 de julho, ‘‘Curso de Diagnóstico em Doenças Respiratórias de Suínos’’, com objetivo de capacitar os participantes em diagnóstico etiológico e sorológico das principais infecções que causam doenças respiratórias em suínos. O evento reuniu veterinários, biólogos e outros profissionais envolvidos com o diagnóstico laboratorial das doenças que afetam os suínos. Eles discutiram técnicas para ajudar a identificar o estado de sanidade de uma granja e doenças que podem se manifestar nos rebanhos.
As principais doenças respiratórias em suínos são causadas por bactérias. Há também as viróticas. No caso das doenças bacterianas existem vacinas para algumas delas, mas é preciso avaliar a necessidade e a viabilidade econômica de vacinar os animais. A informação é do pesquisador da Embrapa de Concórdia, Itamar Piffer, que foi o coordenador do curso.
As doenças causadas por bactérias mais comuns são a pleuropneumonia suína, pneumonia micoplásmica e a renite atrófica. As doenças causadas por vírus são a de aujeskzy e a influenza, que por serem virais, não há vacina contra elas. Todas as doenças têm controle e existem medidas para as erradicar com vacinas e testes para saber a incidência de animais infectados.
Basicamente, as doenças bacterianas são provocadas por temperatura alterada dentro das instalações, maior densidade dos animais (número exagerado por área), tipo de sistema de criação adotado (dentro ou fora, em baias por categoria, entre outros), limpeza e higiene, além de desinfecção do local quando os animais são retirados e destinados para abate.
ProfissionalismoEm cada granja, segundo o pesquisador, é preciso avaliar as condições de manejo e sistema de produção, para evitar maiores problemas com os animais. ‘‘Cada caso é um caso. Não dá para generalizar quais são os principais erros que levam as doenças ao rebanho ou uma regra geral do que fazer para evitá-las. O que o produtor pode fazer é se tornar o mais profissional possível e seguir orientações de um veterinário’’, aconselha.
Muitas vezes é preciso avaliar a necessidade de vacinação’’, prossegue o pesquisador. ‘‘É preciso avaliar também a quantidade de espirros e tosses, por exemplo, e examinar os animais; ou a quantidade de lesões no momento do abate, para vacinar o restante do rebanho. Com análises e testes de sorologia pode-se saber se o plantel está infectado’’.
Segundo ele, a pleuropneumonia, por exemplo, pode causar 50% de mortalidade. A doença provoca lesão de pulmão e atraso no crescimento. O desenvolvimento do animal também é afetado e o ganho de peso reduzido em 16%; além de 25% a menos de conversão alimentar.
Em casos de leve incidência, muitas vezes não vale a pena gastar com vacinação. É preciso fazer uma análise do sistema de produção e organizar o manejo do rebanho, com divisão correta por categorias, baias, maternidade, engorda, entre outros itens.
No caso de doenças provocadas por vírus, muitas vezes o produtor terá que conviver com o problema e tentar maneiras de os minimizar. A doença virótica de aujeskzy tem várias formas de ‘‘ataque’’ e provoca basicamente problemas reprodutivos, ocasionando abortos e a forma mais crônica da pneumonia piora o estado do animal.
A influenza, outra enfermidade virótica, é como uma gripe nos animais e pode piorar o quadro das doenças bacterianas. ‘‘Não tem tratamento, é como uma gripe em humanos.’’ Os grandes empreendimentos de criação de suínos já têm trabalhado com animais livres de infecção, controlando a incidência de doenças bacterianas e, muitas vezes, amenizando as viroses.
De acordo com o pesquisador, em granjas mais especializadas, normalmente o aparecimento destas doenças está controlado e em muito casos até erradicado. Granjas com integração já possuem uma administração com orientação técnica e utilizam tecnologias disponíveis para manter a sanidade dos animais.

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