Inverno foi favorável à safra
O número de horas com temperaturas baixas superou a expectativa dos produtores, ao contrário das duas últimas safras, quando as condições climáticas não foram ideais. Para ter uma boa produtividade e qualidade, a produção de maçãs no Brasil precisa de no mínimo 700 horas de temperatura abaixo de 7,2º c, entre os meses de maio e setembro, marca superada este ano.
Segundo o diretor-geral da Pomelle Frutas (terceira maior empresa do setor no Brasil), Cláudio Borges, a qualidade da maçã produzida nesta safra será bem superior à das duas últimas colheitas. Outro ponto positivo foi a coincidência de chuvas durante a floração das árvores. A chuva nessa época, embora prejudique a polinização, traz enormes ganhos em termos de qualidade, explica Borges.
Exportação A expectativa da Pomelle é que a produção atinja 34 mil toneladas de maçãs nesta safra. Embora não represente incremento em relação à safra passada, Borges considera que os ganhos com a qualidade do produto são bem significativos para a empresa. Prevemos a exportação de cinco por cento da produção, um número promissor já que na colheita passada a Pomelle não vendeu nada para o mercado externo.
Mesmo com esta previsão, Cláudio Borges disse que é preciso ter cautela, pois antes do início da colheita existem possibilidades de perdas em virtude das condições climáticas. O principal receio são as chuvas de granizo, que podem prejudicar a qualidade do produto. Para combater esta ameaça, a Associação dos Fruticultores de Fraiburgo (AFF), entidade que reúne a Pomelle e as maiores empresas do setor no País, desenvolveu um novo sistema de prevenção.
Prevenindo A probabilidade de ocorrência de chuvas de granizo é detectada nas nuvens por um radar meteorológico russo, e os produtores são informados por rádio, pelos técnicos da AFF. A região possui queimadores que dispersam iodeto de prata, instalados a cada 50 quilômetros quadrados. Acionado o equipamento, a substância é liberada até as nuvens, impedindo a precipitação do granizo sobre as plantações de maçã. A AFF investiu R$ 190 mil com o novo sistema, parte financiado pela Secretaria da Agricultura de Santa Catarina.
No mês de janeiro começa a colheita das maçãs gala; em fvereiro da sanza e em março da fuji. O diretor-geral da Pomelle acredita que se não houver nenhum imprevisto, principalmente em relação ao clima, o planejamento de 34 mil toneladas de maçãs colhidas deve-se concretizar. Nós estamos trabalhando com esta expectativa, que seria um resultado bem satisfatório para a empresa, afirma.
Importação A Pomelle Frutas, braço agropecuária do grupo catarinense Portobello, vai importar mil toneladas de maçã da variedade braeburn, de origem neo-zelandeza e de grande sucesso de mercado nos Estados Unidos e Europa. Introduzimos 200 toneladas experimentalmente e não restou estoque em nenhum ponto de venda, revela Cláudio Borges, diretor geral da Pomelle, que possui pomares em Fraiburgo e Lebon Régis, no Planalto Central catarinense. A fruta está ingressando no Brasil através de parceria com a Enza, maior trade de maçãs do mundo. A importação foi iniciada pela empresa catarinense em junho deste ano.





