O inverno, período em que normalmente há redução no volume e qualidade das pastagens, pode representar o maior perigo para a criação de gado a pasto. A estiagem no verão comprometeu a qualidade da forragem que, no inverno, normalmente não apresenta produção de massa verde. O alerta é do veterinário Arildo Padilha, de Londrina.
Especialmente este ano os criadores deverão adotar um programa de nutrição mais adequado para que o gado mantenha o ritmo de desenvolvimento e não venha perder peso por falta de alimentos.
Padilha explica que a pasto, especialmente as vacas de cria, na falta de forragem em quantidade não recuperam a condição necessária para manter o ciclo reprodutivo. Outros animais apresentam baixas taxas de ganho de peso, comprometendo a lucratividade da pecuária.
Por isso, segundo o técnico, o criador tem de se preocupar com o equilíbrio da quantidade e qualidade do alimento que será fornecido ao rebanho nesse período. ''Para isso, há os suplementos minerais, que contém todos os macro e microminerais necessários para a dieta dos bovinos de corte a partir do desmame.'' O veterinário lembra que os suplementos são indicados não só para suprir carências minerais como para complementar proteína e energia.
De acordo com Padilha, outras fontes de alimentos como cana-de-açúcar picada, feno, silagem ou ainda o cultivo de aveia, no sistema de plantio direto, para pastoreio do gado também podem ser alternativas para enfrentar o período da seca, no inverno.
No caso de vacas de cria, lembra o veterinário, o uso da suplementação resulta em melhor utilização da forragem disponível, o que aumenta as taxas de natalidade e de reconcepção de primíparas (novilhas).
De acordo com estudos da Embrapa Gado de Corte, o índice de natalidade, em sistemas com tecnologia avançada, chega a 80% frente aos 60% da média brasileira; a mortalidade cai para 4%, ante os 8% da média; a mortalidade pós-desmama, recua de 4% para 2%. Ainda por conta do avanço da tecnologia na pecuária, a idade da primeira cria ocorre entre 2 e 3 anos, quando a média é de 4 anos, e o intervalo entre partos é de 14 meses, contra os 21 meses da média nacional.
Padilha lembra que o suprimento adicional de nutrientes no período do inverno contribui também para reduzir a idade de abate do animal, garantindo peso e acabamento até o final da seca. E acrescenta que o estudo da Embrapa mostra que a alimentação adequada contribui para reduzir a idade de abate de 4 anos, da média, para 2,5 anos, com o peso da carcaça passando dos 200 quilos para 230 quilos, enquanto o quilo de carcaça passa dos 34 kg/ha para 80 kg/ha, entre outras vantagens.
O veterinário orienta que a adoção de tecnologias é a única alternativa para se manter competitivo na atividade. Para Padilha, aquele produtor tradicional, que pensa apenas no custo que o uso de ferramentas como a suplementação poderão trazer, não tem futuro. Ao elevar o nível de tecnologia na propriedade, segundo Padilha, o criador ganha competitividade no mercado, porque estará associando qualidade do manejo nutricional à genética. ''É preciso ter sempre em mente que, além da alimentação adequada, a utilização de animais das raças exigidas pelo mercado, é também um dos componentes que resultam no retorno esperado pelo pecuarista'', afirma.

mockup